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domingo, 12 de junho de 2011

Saldo do blecaute

Quinta-feira, teve um vendaval fortíssimo seguido de blecaute em BH. Boa parte da cidade ficou no escuro por algumas horas... mas eu fui duplamente agraciada por ter tanto minha casa quanto meu escritório na região que ficou mais de 30 horas sem luz. E sem telefone.

Quando acabou a luz, estava no fone com JC e disse que minha vontade era aproveitar que as malas estavam no carro (sim, pq cheguei de Campo Grande e vim direto para a empresa) e ir para Maceió... ou para Belém... se soubesse que o blecaute ia durar 30 horas, com certeza teria feito isso... mas... preferi acreditar na propaganda da Cemig, que diz que MG tem os melhores serviços em fornecimento de energia elétrica do país e me dei mal, vejam:

- Exercício físico forçado para dar conta de 15 lances de escada na quinta à noite... com mochila do notebook nas costas
- Uma noite mal dormida pois a garagem dormiu escancarada
- Uma noite bem dormida em um hotel a 3 quadras da minha casa e 300 reais a menos na conta bancária
- Um dia inteiro sem trabalhar e sem poder receber telefonemas na empresa (esta é a pior parte)

Bom, butsubutsu* à parte... hoje vim à Agropec e, para meu alívio, está tudo em ordem - internet ok, impressoras ok, não queimou nada. Como dizem, tudo está bem quando termina bem... agora é correr atrás do tempo perdido...


Prá quem não conhece, este é o meu cafoffice (cafofo + office):

*Butsubutsu é uma palavra japonesa que a gente usa quando a pessoa fica reclamando de tudo, muitas vezes sem razão, bem do jeito que eu fiz há 2 parágrafos atrás rsssssss

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Teologia moral da manga (Rubem Alves)


A Morgana passou o dia ontem ouvindo eu falar sobre pragas quarentenárias da manga e do quanto seria impossível erradicar um eventual foco na área urbana de Belém pois todo o centro da cidade é repleto de mangueiras centenárias... e me mandou este texto... é isso aí - vamo lá, minha gente, a felicidade é o caminho e não o destino. Ah, a foto é da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém.

O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco, estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta.

Começo de um novo ano... Novas perspectivas... E como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover?

Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo:

- Qual é então o maior problema do Brasil para ser resolvido?

E aí o representante rural, nosso querido “Mazzaropi da modernidade" falou com um tom sério demais para aquele dia:

- O Maior Problema do Brasil é que sobra muita manga!

Tentei entender a teoria... Fez-se um silêncio e ele continuou:

- O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga? Sim... Creio que todos já percebemos isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga...

E aí ele continuou:

- Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só "ice cream" e jujuba são sobremesas gostosas. Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho tem pai... Se tiver pai e manga de sobremesa é por que a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga, que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra... Se tiver sombra tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar... Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é por que toca viola... E com certeza tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus. Quem louva a Deus, não tem medo... Nada faltará porque tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz... Não reclama da vida em fila do banco...

Daí fez-se um silêncio...

Rubem Alves

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

6a? 7a? Não sei mais... Pela enésima vez em Belém

Já devo ter dito isto aqui mais de uma vez... mas vou dizer de novo... eu amo Belém. Poucos lugares no mundo me fazem sentir tão bem quanto Belém. Não tem explicação.

Estive lá esta semana palestrando na Oficina Regional de Planejamento para Defesa Fitossanitária das Áreas de Fronteiras da Região Norte, um evento prepratório para o ENFIT 2009. O convite foi do meu querido amigo Odilson Ribeiro (diretor do DSV) e do Carlos Schlotfeldt (assessor da SDA) em função de um mapa que mostrei a eles sobre a distribuição de algumas pragas A1 para o Brasil na América do Sul.

Desta vez, fui com tempo. Deu para ir à UFRA conversar com o Wilson Maia e o prof. Sueo Numazawa sobre o Mestrado em Sanidade Vegetal da UFRA. Deu também para ir jantar na Estação das Docas e respirar a brisa gostosa da baía do Guajará. E, claro, para ir assistir a uma missa na Basílica de Nazaré, parada obrigatória em Belém...

Não tirei fotos... limitação de hardware... mas seguem algumas de viagens anteriores a Belém, do tempo em que eu ainda não tinha este blog... saudade, saudade...

1. Saudade desta turminha: Cleber Lemos, Sílvia Lancini e Simone Lancini
2. Um dos altares da Basílica de Nazaré
3. Ilustres amigos belenenses: Heloísa Batista (Adepará), Laíse Bastos (Adepará), Pedro Paulo (SFA-PA) e Carla Cardoso, às vésperas do 6o Encontro de Fiscalização e Seminário Nacional sobre Agrotóxicos
4. A segunda vez em Belém, when I fell in love, fevereiro 2008




terça-feira, 26 de maio de 2009

Um caso de amor à segunda vista

As melhores coisas da vida não têm explicação. Têm apenas existência. Assim é minha paixão por Belém. Aliás, pela Amazônia... e não é de hoje... tinha 16 anos quando fui a primeira vez para Manaus... minha mãe ofereceu uma viagem para a Disney... mas preferi ir a Manaus, atraída pela mata, pelos rios, pelos bichos... nada de Mickey nem tio Sam... sou brasileiríssima... apesar do fenótipo.

Passei os três últimos dias em Belém que, dentro da Amazônia que eu conheço, é o meu lugar favorito. Uma paixão à segunda vista. Sim, à segunda... a primeira foi em 1998 quando fiz conexão de vôo para Paramaribo... na época eu gostei... gostei de Icoaraci, que é o lugar onde produzem a cerâmica marajoara... e dos sorvetes com sabores regionais... mas a segunda vez... em 2008... foi quando me apaixonei pela cidade. Saí daqui dizendo que um dia viria viver aqui... coisa sem explicação... coisa boa demais... 

Esta é a sexta vez que venho para Belém e a paixão continua. Desta vez, tiver a oportunidade de conversar com o presidente da FAEPA, Carlos Xavier, que fez considerações muito interessantes sobre o agronegócio paraense. Ele me ensinou que, se o estado do Pará tivesse crescido na mesma taxa que a média do país, ele (PA) teria, hoje, metade da população que tem. Ou seja, o estado está crescendo muito mais do que o país. A FAEPA desenvolveu um projeto de exploração sustentável das áreas já devastadas para agricultura e, de acordo com esse projeto, o estado tem condição de ampliar suas áreas de produção em 5 milhões de hectares sem derrubar sequer um hectare de mata nativa. Acho muito enriquecedor conversar com pessoas realizadas, que acreditam no trabalho que estão desenvolvendo.

Tive também a oportunidade de conversar com o Secretário da Agricultura e presidente interino da Adepará (Cássio Pereira) e com minha querida amiga Heloísa Helena Batista, que é responsável pelo serviço de Educação Sanitária da Adepará. Com Lúcio Guimarães, da Biopalma, que falou das perspectivas e demandas da dendeicultura no Brasil quanto à Defesa Agropecuária. E com o pessoal da SFA-PA - Ademir Teixeira, Milton Cunha e Wilda Pacheco, que me explicaram o funcionamento de uma SFA. Tudo isso com o auxílio do Wilson Maia, coordenador do projeto de MP em Defesa Sanitária Vegetal da UFRA e grande entusiasta da Defesa.

Foram dois dias muito produtivos e também muito prazerosos, com tempo até para ir à Basílica de Nazaré, à Estação das Docas e ao Mercado de São José Liberto. 

Fotos:
1. Praça da República, no centro de Belém. Aos domingos, acontece uma feira de artesanato e o pessoal vai para lá caminhar, jogar conversa fora e comer gulodices regionais.

2. Bonecos de madeira. O artesanato paraense é lindo e vai muito além da cerâmica marajoara.