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domingo, 26 de agosto de 2012

Minha vida é comer tapioca por este país...

Tenho o privilégio de conhecer todos os estados do Brasil e, claro, Brasília. Isso começou quando era criancinha pois meus pais - principalmente meu pai - tinham o pé na estrada e sempre levavam a gente para viajar... depois, aos 12-13 anos, comecei a criar asas e a viajar sozinha, digo, sem meus pais... primeiro com o Ballet Vitória Régia, depois competindo em olimpíadas de Matemática, depois fui morar fora e a faculdade oportunizou uma série de viagens também. Mas até então era tudo muito no sudeste e sul do Brasil. A não ser pelas viagens a Campo Grande em 1984 e a Manaus em 1985, eu só conhecia SP, PR, SC e RJ... só fui conhecer o nordeste em 1997 quando estagiei com o Nascimento em Cruz das Almas... depois fui morar em Vacaria e Norte e Nordeste se tornaram ainda mais distantes. Mas, em compensação, conheci bem o RS... e tinha a chance de participar de congressos de Entomologia prá lá e prá cá...
Em 2006, comecei a trabalhar nos ENFISAs... e aí é que comecei a viajar prá valer. E sempre que viajo gosto de comer comidas diferentes, comidas que não vá encontrar no bairro onde moro. Não lembro ao certo quando foi a primeira vez que comi tapioca mas sei que, no princípio, eu achava que ela fosse uma comida típica do nordeste. Apesar de ter passado muito mal, lembro da tapioca com ovo que comi no centro de Fortaleza (tamanha falta de juízo comer ovo na rua, mas tudo bem, na época em não estava muito consciente sobre o que eram Salmonellas)... Lembro das tapiocas maravilhosas que comia todo dia de manhã no hotel em Belém...  do Tapioca Break que fizemos no Enfisa de Maceió em 2009 com direito à linda vista de Pajuçara e a brisa do mar... da moça da tapioca do hotel de São Luís que me via entrar no salão do café e já ia preparando a minha tapioca com ovo (e sem Salmonellas)... do moço do hotel de Campo Grande que também já nem esperava eu pedir... da tapioca de tucumã que ficou na promessa em Manaus... da tapioca ao nascer do sol em Recife... da tapioca tamanho gigante plus de João Pessoa, do rodízio divino de tapioca em Brasília, da tapioca na feira em Ji Paraná em Rondônia, a tapioca assadinha no forno com manteira e orégano de Salvador... depois de rodar o Brasil inteiro, cheguei à conclusão de que eu estava errada. A tapioca não é típica do Nordeste, não. A tapioca é típica do Brasil. Enrolada, dobrada, grande, pequena, grossa, fina, doce ou salgada... cada lugar tem seu jeito de fazer a tapioca... Vi que ela só não é consumida comumente de SP prá baixo... ou seja, o Brasil tal qual eu conhecia até a virada do século é justamente aquele onde não se come tapioca. Triste admitir isso, mas nasci no lugar errado pois sou doida por tapioca! 

Curiosidade: o MAPA regulamentou os padrões de identidade e qualidade para a tapioca. Veja, IN 23/2005:
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO
GABINETE DO MINISTRO
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 23, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2005
O MINISTRO DE ESTADO, INTERINO, DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.972, de 25 de maio de 2000, no Decreto nº 3.664, de 17 de novembro de 2000, e o que consta do Processo nº 21000.012917/2005-40, resolve:
Art. 1º Aprovar o REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DOS PRODUTOS AMILÁCEOS DERIVADOS DA RAIZ DE MANDIOCA, conforme anexo desta Instrução Normativa.
Art. 2º Os casos omissos e as dúvidas suscitadas na execução desta Instrução Normativa serão resolvidos pelo Órgão Técnico competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
LUÍS CARLOS GUEDES PINTO
ANEXO
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DOS PRODUTOS AMILÁCEOS DERIVADOS DA RAIZ DE MANDIOCA
1. Objetivo: o presente Regulamento tem por objetivo definir as características de identidade e de qualidade dos Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca.
2. Conceitos: para efeito deste Regulamento, considera-se:
2.1. Fator ácido: é o volume dado em mililitros de HCl 0,1N, necessário para conduzir a pH 3,0 uma suspensão específica, cuja determinação e tolerância devem obedecer à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.2. pH: refere-se ao potencial de hidrogênio ionizável característico do produto amiláceo, cuja determinação e tolerância devem obedecer, respectivamente, à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.3. Amido: refere-se aos carboidratos do amido, característico da raiz de mandioca, encontrados no produto amiláceo, e o seu teor é expresso em gramas de amido por 100 gramas do produto, cuja determinação e tolerância devem obedecer à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.4. Teor de Cinzas: percentual de matéria mineral presente no produto, cuja determinação e tolerância devem obedecer à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.5. Granulometria: distribuição dimensional das partículas do produto;
2.6. Vazamento: refere-se ao teor de produto amiláceo pulverizado, que passa por uma peneira específica, cuja determinação e tolerância devem obedecer, respectivamente, à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.7. Temperatura de Rompimento: refere-se à temperatura na qual os grânulos iniciam o rompimento, sendo uma característica de identidade do produto, cuja determinação e tolerância devem obedecer, respectivamente, à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.8. Umidade: refere-se ao teor de água livre encontrada no produto amiláceo e seu teor é expresso em gramas por 100 gramas do produto, cuja determinação e tolerância devem obedecer à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.9. Impurezas ou matérias estranhas: refere-se a detritos macroscópicos, próprios ou impróprios do produto, cuja determinação e tolerância devem obedecer à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.10. Detrito: refere-se a todo material macroscópico com ou sem risco à saúde, mas que possa ser caracterizado como defeito, como fezes, pêlos, insetos (vivos ou mortos), penas, grânulos e partículas defeituosas e conglomerados mofados, entre outros. O produto deve apresentar-se isento de qualquer um desses defeitos, segundo metodologia analítica e Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.11. Matérias macroscópicas: são aquelas que podem ser detectadas por observação direta (olho nu) sem auxílio de instrumentos ópticos;
2.12. Polpa: refere-se ao material proveniente do cilindro central da raiz de mandioca e o seu teor é expresso em mililitros por 100 gramas do produto, cuja determinação e tolerância devem obedecer, respectivamente, à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.13. Odor: refere-se à avaliação do produto amiláceo quanto ao odor, cuja determinação e tolerância devem obedecer à metodologia analítica e ao Quadro Sinóptico - Tabela 1, previstos neste Regulamento;
2.14. Matérias microscópicas: são aquelas que podem ser detectadas com auxílio de instrumentos ópticos;
2.15. Substâncias nocivas à saúde: substâncias ou agentes estranhos de origem biológica, química ou física que se saiba ou se presuma serem nocivos à saúde, tais como as micotoxinas, os resíduos de produtos fitossanitários e outros contaminantes;
2.16. Isento de substâncias nocivas à saúde: quando o produto não apresenta contaminação ou cujo valor se verifica dentro dos limites máximos previstos na legislação específica vigente;
2.17. Lote: quantidade de produtos com as mesmas especificações de identidade, qualidade e apresentação, processados pelo mesmo fabricante ou fracionador, em um espaço de tempo determinado, sob condições essencialmente iguais;
2.18. Embalagem: recipiente, pacote ou envoltório destinado a proteger e facilitar o transporte e o manuseio do produto;
2.19. Produto embalado: todo produto que está contido em uma embalagem, pronto para ser oferecido ao consumidor;
2.20. Próprio: característico do produto, em conjunto ou isolado, quanto ao aspecto, odor, sabor, entre outras características;
2.21. Cilindro central (polpa): refere-se à parte da raiz de mandioca desprovida da casca e entrecasca;
2.22. Desidratação: refere-se à retirada do excesso de água da massa extraída da raiz de mandioca nas etapas de prensagem e secagem;
2.23. Entrecasca: refere-se à camada protetora da raiz de mandioca, situada entre a casca e o cilindro central;
2.24. Fécula: é o produto amiláceo extraído das raízes de mandioca, não fermentada, obtida por decantação, centrifugação ou outros processos tecnológicos adequados;
2.25. Tapioca: é o produto que, conforme processo de fabricação, se apresenta sob forma de grânulos irregulares, poliédricos ou esféricos;
2.26. Granulação: forma e tamanho dos grânulos;
2.27. Grânulos: partículas irregulares em forma e tamanho.
3. Classificação e Tolerâncias: o Produto Amiláceo derivado da Raiz de Mandioca de acordo com o processo tecnológico de fabricação utilizado, suas características físicas (granulometria e forma dos grânulos) e sua qualidade será enquadrado em grupo, subgrupo e tipo, respectivamente:
3.1. Grupos: de acordo com a tecnologia de fabricação utilizada, o Produto Amiláceo será classificado em 2 (dois) grupos:
3.1.1. Grupo I - Fécula;
3.1.2. Grupo II - Tapioca.
3.2. Subgrupos da Tapioca - segundo a forma dos grânulos, a Tapioca será classificada em 2 (dois) subgrupos:
3.2.1. Tapioca granulada - Tapioca “Flakes granulated” (flocos granulados) tapioca: é o produto sob forma de grânulos, poliédricos irregulares, de diversos tamanhos;
3.2.2. Tapioca pérola ou sagú artificial - “Pearl” (pérola) tapioca: é o produto sob forma de grânulos esféricos irregulares, de diversos tamanhos.
3.3. Tipos: Os Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca do Grupo I serão classificados em 3 (três) Tipos e os do Grupo II em 2 (dois) Tipos, de acordo com a sua qualidade, em função dos parâmetros e respectivos limites de tolerância estabelecidos na Tabela 1 do presente Regulamento.
3.4. Fora de Tipo: será considerada como Fora de Tipo a Fécula e a Tapioca que não se enquadrarem nos limites de tolerância estabelecidos na Tabela 1 deste Regulamento Técnico.
4. Requisitos Gerais: os Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca deverão se apresentar limpos, secos e isentos de odores estranhos, impróprios ao produto.
4.1. Sempre que julgar necessário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá exigir análises das características microscópicas, microbiológicas e de substâncias nocivas à saúde, independentemente do resultado da classificação do produto, observadas as legislações específicas vigentes.
5. Modo de Apresentação: os Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca podem ser comercializados a granel, ensacados ou empacotados.
6. Acondicionamento: as embalagens, utilizadas no acondicionamento dos Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca poderão ser de materiais naturais, sintéticos ou qualquer outro material apropriado, desde que sejam limpos, atóxicos, que protejam o produto e que não transmitam odores e sabores estranhos ao produto.
6.1. As especificações quanto à confecção e à capacidade das embalagens devem estar de acordo com a legislação específica vigente.
7. Rotulagem
7.1. Produto embalado para a venda direta à alimentação humana: a marcação ou rotulagem, uma vez observadas as legislações específicas vigentes, deverá conter obrigatoriamente as seguintes informações:
7.1.1. Relativas à classificação:
7.1.1.1. Grupo;
7.1.1.2. Subgrupo, quando for o caso;
7.1.1.3. Tipo.
7.1.2. Relativas à identificação do produto e a seu responsável:
7.1.2.1. Denominação de venda do produto;
7.1.2.2. Razão social do embalador, acompanhado de CNPJ e endereço completo;
7.1.2.3. Lote: o lote deverá ser identificado por meio de um código chave de responsabilidade do embalador precedido da letra "L" ou a data de fabricação, de embalagem ou de prazo de validade, na forma definida na legislação específica vigente.
7.2. Produto a granel: o produto deverá ser identificado e as informações colocadas em lugar de destaque, de fácil visualização e de difícil remoção, contendo, no mínimo, as seguintes expressões:
7.2.1. Relativas à classificação:
7.2.1.1. Grupo;
7.2.1.2. Subgrupo, quando for o caso;
7.2.1.3. Tipo;
7.2.2. Relativas à identificação do produto e seu responsável:
7.2.2.1. Denominação de venda do produto;
7.2.2.2. Razão social do fabricante, acompanhado de CNPJ e endereço completo.
7.3. Produtos importados: além das exigências previstas para o item 7.1. ou 7.2., o produto importado deverá apresentar ainda as seguintes informações:
7.3.1. País de origem;
7.3.2. Nome e endereço do importador.
7.4. A rotulagem deve ser de fácil visualização e de difícil remoção, assegurando informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa, cumprindo com as exigências previstas em legislação específica vigente.
7.4.1. A especificação relativa ao Grupo dos Produtos Amiláceos derivados da Raiz da Mandioca deve ser grafada em algarismo romano e por extenso. A especificação relativa ao Subgrupo, quando for o caso, por extenso. A especificação relativa ao Tipo dos Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca deve ser grafada em algarismo arábico.
7.4.2. Todos os caracteres deverão ser do mesmo tamanho, segundo as dimensões especificadas para a informação relativa ao peso líquido, conforme legislação metrológica vigente.
8. Métodos analíticos: os métodos analíticos são definidos em atos complementares, após oficialização pela área competente do MAPA.
8.1. Permite-se o uso de métodos consagrados, desde que inexistam métodos oficiais publicados.
Tabela 1. Limites de tolerância para os Produtos Amiláceos derivados da Raiz de Mandioca.


Grupos I - Fécula II - <Tapioca 
Subgrupos    Granulada Pérola ou Sagú artificial 
Tipos 1 2 3 1 2 1 2 
Fator Ácido (mL) 4,00 4,50 5,00 * * * * 
pH 4,50 a 4,50 a 4,00 a * * * * 
6,50 6,50 7,00     
Amido % >84,00 >82,00 >80,00 * * * * 
Cinzas % <0 font="font"> <0 font="font"> <0 font="font"> <0 font="font"> <0 font="font"> <0 font="font"> <0 font="font"> 
Vazamento % Abertura (mm) 0,105 0,105 0,105 * * * * 
99,00 98,00 97,00     
Ponto Rompimento >58º >58º >58º * * * * 
<66 font="font"> <66 font="font"> <66 font="font">     
Umidade% <14 font="font"> <14 font="font"> <14 font="font"> <15 font="font"> <15 font="font"> <15 font="font"> <15 font="font"> 
Matérias estranhas ou impurezas - % ** ** ** ** ** ** ** 
Polpa - (mL) 0,50 1,00 1,50 * * * * 
Odor Peculiar Peculiar 
D.O.U., 15/12/2005

sábado, 12 de novembro de 2011

Curiosidades botânicas

Até bem pouco tempo atrás, Tucumã era, para mim, o nome de uma província na Argentina onde vive meu querido amigo Sergio Ovruski. Mas, nas minhas últimas andanças por Manaus, aprendi que tucumã é, também, o nome de uma palmeira, a Astrocaryym aculeatum muito presente na culinária amazonense. Faz-se de tudo com o tucumã: come-se com pão, com tapioca, na pizza, em sorvete... e, não bastasse isso, a semente é usada para artesanato. Ela é bem dura e usada para confeccionar brincos e aneis com prata. O contraste da semente escura com a prata dá uma combinação muito fina. Aprendi também que um anel que comprei em Brasília e que me falaram que era feito de coco é, na verdade, feito de tucumã! Por isso que eu sempre digo - gosto de viajar, de circular, de conversar com gente da terra... porque tem coisas que não estão nos livros nem nos sites...

Na dúvida, experimente de novo

Não sei ao certo de onde isso vem, mas adoro comer coisas diferentes. Na maior parte das vezes, me dou bem. Outras, não tanto. Mas melhor uma vida com sabores diferentes para lembrar do que comer sempre o mesmo prato. Desta vez, comi o tacacá. Acho que já tinha comido antes, em Belém. Mas não tenho certeza. Esta é a vantagem de ter memória ruim - a gente faz a mesma coisa mais de uma vez e fica achando que é sempre a primeira vez.

O tacacá é feito com tucupi, leva goma de tapioca, camarão seco e jambu. O jambu (Acmella oleracea) é uma folhinha que anestesia a língua e que me lembro de ser bastante presente na culinária do Pará por causa de alquilamidas. Dizem que as folhas têm propriedades anestésicas, digestivas e diuréticas.

Agora, já posso dizer que comi tudo o que Ney Matogrosso canta em 'Não existe pecado ao sul do Equador': Deixa a tristeza prá lá, vem comer, vem jantar sarapateu, caruru, tucupi, tacacá... Ê Brasilzão maravilhoso cheio de sabores e receitas!


Sobre o Tacacá (Wikipedia)
Tacacá é uma iguaria da região amazônica brasileira, em particular do estado do Pará. É preparado com um caldo fino e bem temperado geralmente com sal, cebola, alho, coentro do norte, coentro e cebolinha, de cor amarelada, chamado tucupi, sobre o qual se coloca goma de tapioca, também conhecida como polvilho, camarão seco e jambu. Serve-se muito quente, temperado com pimenta, emcuias. O tucupi e a tapioca (da qual se prepara a goma), são resultados da massa ralada da mandioca que, depois de prensada para fazer farinha, resulta num líquido leitoso-amarelado. Após deixado em repouso, a tapioca fica depositada no fundo do recipiente e o tucupi na sua parte superior.
Sua origem é dos indígenas paraenses e, segundo Câmara Cascudo, deriva de um tipo de sopa indígena denominada mani poi. Câmara Cascudo diz que “Esse mani poí fez nascer os atuais tacacá, com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta, sal, às vezes camarões secos.”.


Tacacá na Praça São Sebastião

Pirarucu a Delícia

Tapioca com castanha-do-brasil

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Lieben und arbeiten und essen

Uma vez, escutei alguém dizer que, segundo Freud, as duas habilidades básicas de um ser humano equilibrado são 'lieben' (amar) e 'arbeiten' (trabalhar). Concordo que as duas são importantes e sigo à risca... amo minhas viagens a trabalho pois são oportunidades de experimentar o novo, de conhecer (e amar) novas pessoas... agora... tem uma outra atividade que ele não mencionou que, para mim, é sinônimo de prazer e de saúde: 'essen' (comer). Acho um privilégio, aos 40 anos, poder comer de tudo. Amo ter disposição e interesse em experimentar novos sabores... e... já que estava lá em Boa Vista e com uma companhia que também é chegada nas novidades gastronômicas, lá fomos nós comer comida venezuelana e uma belo peixe filhote com molho de camarão... 


Cheverón y enrollado - muda o tipo de pão, mas o recheio dos dois era o mesmo: carne picadinha com tomate, cebola, alface... tudo super bem temperado!

Minha companheira dos cursos de ARP e sua Brahma Fresh. Não conheço muito de cerveja, mas nunca tinha ouvido falar da Brahma Fresh...

Filhote com molho de camarão. MA-RA-VI-LHO-SO! Veio na tigela de barro e ficou longos minutos borbulhando... quando será que o Carlinhos me chama de novo em Roraima para poder comer estas maravilhas?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uma aula de Espanhol, Botânica e Culinária

Houve um tempo na minha vida em que era louca por shopping centers. Passou. Acho que um complexo de ser do interior com aspirações a ser da capital. Passou. Afinal, olhando de perto, shopping é tudo igual no mundo inteiro, deixou de ser novidade. Shopping e respectiva praça de alimentação são bons para quem não gosta de novidades nem de se arriscar. Hoje, troco qualquer shopping por um mercado popular ou feira onde possa comer e sentir o cheiro da comida de verdade. É nesses lugares que a gente encontra as novidades, as comidinhas regionais...

O Mercado e Miraflores, em Lima, é um dos melhores ou talvez o melhor da cidade. Isto dito pelas recepcionistas do hotel onde fiquei. Comi tanta coisa diferente e puxei do fundo da memória as aulas de Botânica para tentar entender o que estava comendo... aprendi como preparar algumas coisinhas típicas...




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cabeça de Gordo em Teresina

O gostoso de viajar é identificar o que cada lugar tem de particular, de exclusivo... é o que vai ficar na memória. E, nesse sentido, vi e comi muitas coisas pitorescas em Teresina - do artesanato ao vocabulário e passando, claro, pela comida. Alguns cliques desta cabeça de gordo...


Galinha-da-angola, em Teresina, se chama capote e é um prato típico lá. Dia desses, pedi refeição no room service, uma galinha ensopada. No cardápio falava 'galinha caipira' mas eu tinha esperança de que fosse capote e não galinha... perguntei ao camareiro: 'É galinha-de-angola?' e ele prontamente respondeu 'não, não senhora. É daqui do Brasil mesmo'. Engoli uma risadinha hhehehehehehe eita Brasilzão com seus regionalismos rssssssss


Peixada, no Restaurante Flutuante no encontro dos rios Poty e Parnaíba. Deliciosa, divina e com batata doce ao invés de batata inglesa! Policarpo Quaresma ia curtir isto!


Piava frita, super sequinha, lamentei não beber cerveja nesta hora...


Petas, biscoitinhos de polvilho. Maravilhosos!

E mais biscoitos... com sabores diferentes, um mais gostoso que o outro.

Pessoal do Enfisa nordeste, prepare-se para comer muito bem em Teresina!

domingo, 3 de julho de 2011

Furoshiki à brasileira

Japonês adora dar presente. E nesse ponto sou absurdamente japonesa... hábito que vem de casa mesmo... e tem mais: pode ser uma coisinha à toa, com valor financeiro ínfimo mas vai sempre num pacotinho caprichado... nada me desconcerta mais do que dar um presente sem embrulhar. Tem vezes que prefiro nem dar... bom, quem convive comigo sabe... sempre tem um docinho, uma pecinha de artesanato... um souvenir encontrado nas viagens que me fez lembrar de alguém...agora... o bom mesmo é presentar com coisas que eu mesma faço... é... sei que é meio difícil acreditar... mas faço doces e peças artesanais para presentear pessoas queridas...

Fui ao supermercado hoje... e já ia comprar a tradicional lata de doce de leite Viçosa para presentear umas pessoas esta semana... quando decidi fazer algo diferente... trouxe leite condensado e preparei brigadeiro de colher, com confeito colorido... ficou perfeito... no sabor e na textura... e, na hora de fazer o pacote de presente... pensei que não haveria papel no mundo que desse conta de virar um pacote bacana prás minhas panelinhas... e então... eureca!!! Nada como nascido esta quimera nipo-brasileira e poder juntar a técnica japonesa do furoshiki ao chitão e ao brasileiríssimo brigadeiro!

sábado, 28 de maio de 2011

Um avestruz solto em Santa Cruz de la Sierra

Sempre me orgulhei do meu estômago de aço. Não sei o que vem a ser a tal da azia nem da má digestão. Queimação? Tampouco. Some-se a isso uma fome infinita de novidade... e o resultado é: toda viagem se transforma numa aventura gastronômica. Mas... eu gosto mesmo é de comer na rua, as coisas que todo mundo come. Gosto de pegar um cardápio e escolher o nome mais esquisito da lista, o tempero mais regional, o que só tem lá. Nesse dia e meio em Santa Cruz de la Sierra andei muito pelo centro da cidade... olhando as pessoas, as construções... e devorando o que aparecesse na minha frente, claro.

Dois pequenos vendedores me oferecendo chicha o mocochinchi.

O da esquerda é chicha. É uma canjica feita com água. A parte líquida, vc bebe, o milho, vc come com colher. O da direita é o mocochinchi. Pêssego seco cozido com muito cravo e canela. Não dá para ver direito, mas tem a 'pepita' dentro do copo, que é justamente o pêssego. Tome todo o líquido e coma a pepita no final.

Empanadas, saborosíssimas!!!!!!!!!

Não sei o nome de nada disso, mas comi praticamente todos... uma chipinha, bananas fritas, bala de rapadura, uns biscoitos de mandioca... en duda? Cómatelos todos.

sábado, 23 de abril de 2011

Uma espiadinha na Índia

Eu amo ambientes decorados com capricho. E também com autenticidade. Adoro vermelho. Adoro ser bem atendida. Adoro comida. Adoro temperos e especiarias. Adoro o cheiro do curry enchendo o ambiente. Adoro uma música lá ao fundo que faça a mente viajar... e morro de vontade de conhecer a Índia. Por esses e muitos outros motivos, curti demais estar hoje no Restaurante Bhagwan. Na Conselheiro Lafaiete, pertíssimo de casa. Já comi comida indiana em outras partes do mundo... o lugar mais recente foi o Ganesh, no Shopping Morumbi. Lindo também. Encantador também. Mas uma coisa meio maquiada. O Bhagwan me pareceu mais Made in India, me deu a sensação de que ele poderia estar assim do jeito que está em qualquer rua de Nova Deli... A gente sente que alguém muito caprichoso se preocupou com cada cantinho, com cada batente de porta (adorei as batentes amarelas contrastando com as paredes vermelhas...)... a gente sente que a pessoa botou alma na tarefa de deixar o ambiente acolhedor. E realmente conseguiu. Tudo muito limpo e a comida estava saborosíssima.

Ah e tem delivery também. Veja o site e faça seu pedido. Vale a pena. E se vc provar e não gostar, me liga que eu vou buscar o prato e como no seu lugar. Isso que é amiga hein?





Meu pedido: arroz com especiarias indianas (identifiquei alho e gengibre mas deve ter mais uma dúzia de temperos. A cor não sei de onde vem...) e camarão (linghi?) com molho masala.

Quer aprender um pouco de sânscrito? Clique aqui.

sábado, 9 de abril de 2011

Da Tailândia à Polônia

Eita vida dura... um dia comida tailandesa... outro dia... comida polonesa... este restaurante fica no bairro Santa Cecília e já tinha ido lá algumas vezes comer a 'mesa polonesa'. Ele foi indicado por vários anos como o melhor restaurante polonês do Brasil. E faz jus aos prêmios, tudo muito caprichado e saboroso.

É uma amostra da gastronomia polonesa. Começa com uma sopa - no dia, as opções eram beterraba e cogumelos. Cai bem como um carinho no meu judiado esôfago. E aí começa... os pierogs que eu adoro, as carnes com temperos inusitados e um monte de outros pratos cujos nomes são impronunciáveis para meus parcos conhecimentos de Polonês... e tudo termina com doces que a gente come agradecendo a Deus por não ter diabetes heheheeheheheh




Banana com sorvete de creme, calda de chocolate e amêndoas


A vodca no gelo

Lado esquerdo da foto: eu, Vera, Luís, Rangel
Do lado direito da foto: Fábio e Roberto

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A última comilança

O ENFISA Porto Alegre foi ótimo. Correu tudo bem, as discussões foram absolutamente técnicas e alcançamos os objetivos propostos. Então, para comemorar... fomos jantar na Villa Valduga, no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves.

O pessoal do restaurante caprichou. Ao invés de colocar nossa mesa no salão, nos deram a adega. A gente chegou lá e tava tudo à luz de velas. Já me ganharam na chegada. Os vinhos estavam maravilhosos (especialmente uma espumante chamada Blush)... e a comida estava divina. Tudo do bom e do melhor, encerrando a semana com chave de ouro!

Ajoelhado: Tosato (PR)
Primeira fila: Jussara (RJ), eu, Rita (RS), Zé Reis (GO), Dilson (SP), Vera (MS), Rangel (DF), Leo (RJ)
Segunda fila: Vinícius (RS), Marcelo (SP) e Luís (SP)


Aqui se come, aqui se bebe bem demais!

Amo comida, quem frequenta este blog ou a minha vida sabe disso. Como costumo dizer, é um milagre metabólico que eu não pese 100 kg. Como por prazer de experimentar o novo... sou do tipo que pega o cardápio e pede o nome mais desconhecido de todos. Então, uma semana em Porto Alegre não foi, gastronomicamente falando, nenhum sacrifício para mim. Sim, porque tem lugar onde a melhor refeição que fiz foi no McDonalds...

Na minha opinião, esta é uma das cidades onde melhor se come no Brasil, porque tem comidas de várias partes do mundo. E tudo de muito boa qualidade. Sábado passado fui com a Lu e a família dela no Koh Pee Pee, que é um restaurante tailandês maravilhoso. Pedimos três pratos, cujos nomes são 'inlembráveis' para mim... mas cujos sabores... não inesquecíveis. Um à base de camarão, outro de frutos do mar e o terceiro era uma carne de porco com aquela vagem fininha que eu adoro. Tudo muito fresco e muito bem temperado.

Claro, tudo muito diferente da comida tailandesa que comi na Tailândia... mas vai ver que é porque andei nas ruas por lá... e comi a comida de todo dia... e o Koh Pee Pee é banquete, é uma festa para todos os sentidos. Enfim, tudo perfeito - o lugar, a companhia, a comida, a noite... tudo nota 1000!

Para babar no cardápio, clique aqui.






Olha a folga do elefante tomando banho... achei tão engraçadinho este quadro que pedi para enquadrar junto com a gente na foto rssssssss

sábado, 19 de março de 2011

Numa noite chuvosa a bordo do Bicho do Rio

Tradicionalmente, a gente faz uma confraternização nos ENFISAs regionais ou nacionais. Escolhemos realizar a confraternização a bordo do barco Bicho do Mato. Seo Toquinha e equipe capricharam no cardápio, na música e no atendimento. Choveu, choveu a noite toda... uma pena pq não fosse isso a gente teria jantado no andar de cima sob a luz de uma lua quase cheia. Mas tudo bem. Com boa música, boa companhia e boa comida, o bom tempo passa a ser secundário. Telefone do Seo Toquinha: 95 9971 5454. Indo a Boa Vista, recomendo o passeio.

Dona Fabiana e sua assistente de cozinha. Tempero delicioso, tudo muito caprichado.

Dá para não jantar?

Peixe ensopado, pirão... caldo de peixe... já estou com saudade...

Fábio Kagi, Luís Ribeiro, Roberto Santana, Antonio Miyasaka, Oder Gurgel, Alfredo Takehana e Carlos Cézar Lima.

Eu, Ingergleice Abreu, Gleicilene Almeida, Natália Nogueira, Alessandra D'Castro e Rachel Barbosa da Silva (= a que achava que eu era brava e séria, por causa dos meus emails... teve que passar um dia inteiro para concluir que é só fachada...)

Alessandra, que coordenará o Enfisa Regional Norte em 2012 em Manaus... e três velhos amigos de caminhada: Oder, Alfredo e Carlos César

Pequenos peixes para pequenos pescadores... esses meninos estavam pescando perto do barco antes da gente sair para o passeio e vinham orgulhosos me mostrar o resultado do trabalho deles. É lindo, sempre, conhecer gente da terra... ainda mais criança... e aprender um pouco sobre como é a vida em outras partes do mundo...


Seo Toquinha... grande sujeito... talvez nunca mais eu volte a andar no barco dele, mas fiquei fã dele pela seriedade no trabalho e qualidade dos serviços que ele prestou para nós