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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Minúsculo Dicionário de Portuñol - parte II

Há uns dois anos, escrevi a primeira edição do meu Minúsculo Dicionário de Portuñol. A página é uma das mais visualizadas do blog e já teve acessos da Guatemala, Colômbia, Argentina, Espanha e outros países de língua Espanhola... e também de países onde o Espanhol não é a língua oficial, como a EUA, Áustria, etc. E Brasil, é claro.

O grande paradoxo é:
(1) Português e Espanhol são suficientemente parecidos do ponto de vista gramatical para que todo brasileiro pense que é só mudar o sotaque e sair sendo entendido pelos hispânicos;  
(2) Português e Espanhol possuem vocábulos / significados suficientemente diferentes para fazer muito brasileiro pagar micos fenomenais.

A gente faz umas analogias e acaba chegando a conclusões desastrosas. Vamos lá. Comecemos com uma comida que faz parte da dieta de vários países hispânicos da América do Sul.
  • Olho = Ojo 
  • Coelho = Conejo
  • Alho = Ajo
  • Ervilha = Arveja
  • Folha = Hoja
  • Milho = ??
Em Portunhol, a pior coisa que você pode fazer é acreditar que existe uma regra lógica, um raciocínio a seguir... se LH vira J, então milho vira mijo? Nãooooooooooo! Milho não vira mijo, mas muita gente poderá (desculpe, é inevitável) mijar de rir se você pedir um mijo para comer. Milho é maiz ou elote ou choclo (depende do país). Veja também que choclo não tem nada a ver com chocolate. E que, ao pedir pastel de choclo numa padaria, não espere uma massa fina, frita e recheada com creme de chocolate... Da mesma forma, não mate ninguém de dar risada pedindo  'buelo de mijo', hein?

Choclo negro, utilizado para produzir a chicha morada, uma bebida muito apreciada no Peru e outros países andinos.

Pastel de choclo = bolo de milho
Isso de pastel, bolo e torta confunde mesmo. Bolo em Português vira pastel em Espanhol. Torta em Português vira pye em Espanhol. Mas, se for torta de massa folhada, vira mil hojas. Croissant vira medialuna. Pudim pode virar budin mas somente se for o pudim-de-pão. A velha e deliciosa receita de pudim de leite condensado se chama Crema Volteada. Portanto, se não quer confusão na hora de receber sua sobremesa (postre), se quiser pudim, diga 'crema volteada'. Se vc pedir budin, irá receber o de pão...

Budin = pudim de pão
Crema volteada = pudim de leite condensado
Pye = torta

E já que estamos na padaria, que tal um bom pionono?

Pionono = rocambole

E para beber? Que tal uma 'coca personal'? Aprendi esta semana, coca personal é aquela garrafinha de vidro, que eles consideram como porção individual. A boa e velha KS do Brasil (aprendi isto ontem com um brasileiro doido por coca-cola). Aprendi também recentemente, que a Coca Cola usa no Peru embalagens inteligentes que mostram quando a coca-cola está gelada suficiente. Vejam abaixo. Não tem nada a ver com a rivalidade entre celestes e brasileiros, é apenas uma forma de evitar que as pessoas tomem coca-cola quente.
Embalagens inteligentes da Coca-Cola no Peru indicam quando o conteúdo está na temperatura ideal para consumo.

Mas e se ela estiver quente? Bom, aí tem que dar um jeito para fazer ela ficar gelada, certo? Mas, lembrem: helado é sorvete. Se num bar ou restaurante você pedir helado, vão te trazer sorvete de massa. Gelo é hielo, copo é vaso e taça é copa. Ou seja, você vai precisar de un vaso de hielo e não uma copa de helado

Se quiser tomar com canudinho, aí, sim, pode pedir sorvete, mas tome cuidado para não ser mal interpretado. Dependendo do país, sorvete quer dizer canudo. Dependendo do país, tem um significado impróprio para este blog. Na dúvida sobre pedir ou não sorvete, peça um popote.

De popote ó en el vasito, no importa. Agora, você quer é (desculpem novamente) mijar. Não adianta dizer que quer 'mijar' puxando o J como em conejo, oreja, etc. Mijar se diz mear. Ou, tecnicamente, orinar. Ou, educadamente, 'permiso, voy al baño'. Sim, baño é o banheiro. Que também poderá estar identificado por uma placa de letras garrafais que diz: S.S.H.H., abreviação para Servicios Higiénicos.
S.S.H.H. = Servicios Higiénicos (toalete)
Na hora de pagar sua conta... o cartão (tarjeta e não cartón) é amplamente aceito nas cidades turísticas, tanto na função de crédito quanto de débito (e com os mesmos nomes - crédito e débito). No entanto, se alguém perguntar a você se pode 'cancelar en su tarjeta', diga que sim. Cancelar, neste contexto é o equivalente a pagar. Ou seja, a pessoa está cancelando uma dívida que você tem com ela.

Comeu e bebeu todas e agora está passando mal? Então corre pro botiquin, mas toma cuidado com as gibas* no caminho!
Botiquín = farmacinha

*Gibas no Peru é a mesma coisa que túmulos na Guatemala. Não sabe o que é? Então volte para a parte I do Minúsculo Dicionário de Portuñol.

Todo o meu respeito às cholas

Quem já foi para a Bolívia sabe: as cholas estão por toda a parte. Aquelas senhoras de tranças longas e saias compridas, paramentadas com esmero. Impossível encontrar um quarteirão sem cholas. Chola, na Bolívia (pelo menos nos locais que visitei) é sinônimo de mulher. Fiquei impressionada em La Paz, quando abri a janela do quarto às 6 da manhã e a rua já estava repleta de cholas vendendo seus artigos, subindo e descendo as ladeiras da mesma forma como se anda à beira mar. Ficamos no Hotel Rosário La Paz (maravilhoso e muito aconchegante, por sinal), que fica bem no 'fervo' do comércio de rua da cidade. Logo cedo, pessoas de várias cidades da Bolívia trazem seus produtos de confecção para vender no atacado ou varejo. Ao longo do dia, o comércio vai sendo substituído por outros itens e, à noite, a rua é tomada por novas cholas trazendo artigos importados como sapatos, roupas, brinquedos, etc.

Elas não gostam de ser fotografadas e, normalmente, não me sinto confortável para tirar fotos de pessoas, principalmente quando sei que elas não concordariam. Mas como já estava planejando este tributo a essas mulheres fortes que carregam tudo nas costas - seus produtos, seus filhos e seu país - resolvi fazer uma pequena coleção de fotos.

Feira de artesanato em Puno, Peru. Estas senhoras estavam crochetando e tricotando artigos para vender. Muitas fazem seus trabalhos manuais dentro de suas barracas, trabalham o tempo todo vendendo ou produzindo.
Ruínas de Tiwanaku, Bolívia. 

Apresentação em Puno, Peru, em procissão em homenagem à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Candelária. Estas cholas estilizadas me fizeram pensar em que lindo seria uma escola de samba homenageando o povo dos Andes.
Em seus panos, elas carregam de tudo: comidas, flores, roupas, filhos e um país inteiro.
Depois de dois dias percorrendo a Bolívia, comecei a ficar intrigada  - como é que esse chapeuzinho de circunferência menor do que a circunferência da cabeça para em cima da cabeça? Perguntei a esta senhora se havia algum elástico ou algum dispositivo por dentro do chapeu para isso. Ela tirou o chapeu e mostrou: não há nada. O chapeu, simplesmente, fica aí, paradinho, bonitinho o dia todo...
E prá quem pensa que as cholas pararam no tempo... esta elegantíssima senhora estava comprando um celular super moderno. 
Estas foram as tranças mais caprichadas que vi durante a viagem. O casaco é de crochê e, é claro, foi feito por ela.
Do lado boliviano da fronteira em Peru e Bolívia, uma chola cambista.
Na fronteira com Peru e Bolívia, do lado peruano. Cena comum no campo. Vejam que os chapeus no Peru já são diferentes dos chapeus da Bolívia.
Em Puno, Peru. Muito bonito as tranças compridas amarradas nas pontas.
Nas proximidades de Cuzco, Peru. O chapeu é totalmente diferente e a saia também. Na Bolívia, as cholas usam saias com  babados (4-5 babados) e longas. Em Cuzco, é comum vê-las com saias godê, sem babados.

domingo, 29 de julho de 2012

Eu? Andando de bicicleta? Domingo de manhã? Depois de tomar um café da manhã natureba? Conta outra, vai...

Tem coisa que só acredito porque vi ao vivo. E foi isso mesmo que aconteceu, aliás, que vem acontecendo nos últimos finais de semana. Acordo cedo, boto um tênis, me agasalho para o friozinho gostoso das manhãs de BH (tá, friozinho é exagero... fresquinho, digamos) e saio para pedalar... percursos curtos, na medida do que minha condição física de pessoa sedentária permite... mas suficientes para dar aquela sensação gostosa de que todas as células do corpo estão trabalhando, vibrando. Que seja meia hora, não importa... importa, apenas tirar o corpo e a mente da zona de conforto.

Não tem nada mais perigoso no mundo do que zona de conforto. É numa zona de conforto que talentos se extinguem, que habilidades atrofiam, que a criatividade se esvai... e junto vão a capacidade de resolver problemas e de construir cenários e bolar estratégias... Botar o cérebro num MRU é convite para que o alemão chegue mais cedo.

Quando era criança, tive uma bicicleta azul da Caloi, que dividia com meu irmão do meio. Mas aí ele era muito mais habilidoso do que eu e ganhou bicicletas maiores e eu fiquei mesmo na minha caloizinha... depois, muitos anos depois... ganhei minha segunda bicicleta do meu primeiro marido. Acho que foi uma maneira educada que ele encontrou para fazer com que eu saísse da frente do computador e da máquina de costura... foi uma boa tentativa, mas para minha (in)felicidade, entrou ladrão na garagem e levou as bicicletas novinhas... pena, não? E a verdade é que eu não curtia mesmo. De repente, os 40 bateram na porta juntamente com um diagnóstico de esofagite e aí caiu a ficha: preciso me mexer.

Procurava alternativas quando mudei para este prédio no Ipiranga... uma das coisas que mais gostei nele é o fato de ficar numa avenida plana, fenômeno raro em BH. Ela tem uns 2,5 km de extensão e é praticamente plana em toda sua extensão. E então, num desses domingos de inverno fresco e ensolarado, pulei cedo da cama e fui lá comprar minha terceira bicicleta.

É verdade que a gente nunca esquece como anda, mas o que nunca haviam me contado é que o corpo perde condição. Minha primeira pedalada foi de longuíssimos 10 minutos e extenuantes 1000 m. Parecia que tinham botado meu corpo num liquidificador. Uma sensação divina de ser desafiada a fazer algo novo. É maravilhoso estar diante de algo que faz com que a gente se sinta incapaz. é desafiador. Quem é kosokosô que nem eu fica esperando uma oportunidade para ir lá de novo mostrar que pode fazer mais e melhor.

Motivação para isso eu tenho de sobra: a trilha inca, no Peru. Me falaram que tem gente que organiza a descida de bici e quero muito fazer isso. 40 km. Mas é descida. A gente sai de 3.000 m e chega a 2.600 m de altitude. Ainda falta muito para eu chegar a 40 km, teria que somar todas as vezes que andei de bicicleta na vida que ainda ficaria faltando... mas vou treinando e anotando tudo num app bacana que baixei no play store do Android. Chama-se Minhas Trilhas e registra as informações como distância percorrida, altitude, velocidade e dá gráficos de altitude x velocidade... e joga tudo no Google Maps... até pouco tempo, ele não compartilhava os detalhes (pelo menos não lembro de ter isto esta função semana passada), agora ele compartilha tudo via Facebook, Evernote, Email, Bluetooth ou SMS. Olha que legal: https://maps.google.com/maps/ms?msa=0&msid=211959240487942596940.0004c5f651212bbb851c1

E viva o smartphone. Graças a ele, consigo passar meia hora longe do computador. Ou vocês pensaram que eu conseguiria acordar cedo no domingo, comer um café natureba, ir pedalar e ainda por cima ficar desconectada? Aí já seria querer demais, né???

sábado, 21 de julho de 2012

Quatro saudades

Quem frequenta a minha casa, o meu escritório ou a minha vida sabe... são lugares repletos de lembranças... algumas materializadas na forma de peças de artesanato, outras guardadas em algum lugar na minha cabeça servindo como referências... E, vez por outra, uma dessas lembranças sai de dentro da cabeça e se materializa através das mãos.

Fazia tempo que estava atrás de uma solução para guardar documentos que não precisariam, a rigor, ser guardados mas que eu não gostaria de jogar fora. Certificados de trabalhos apresentados em 1992, de congressos acontecidos em 1995... de artigos que já caíram no esquecimento meu e da comunidade científica... e então, por falta de uma solução, eles ficam em caixas de arquivo morto, em gavetas, em pastas suspensas...

Então, agora que consegui finalmente arrumar o meu cantinho de artesanato, as lembranças represadas estão saindo com toda força. Esta semana se materializaram nestas caixas com fotos de México, Guatemala, Peru e Equador... quatro viagens, quatro saudades, quatro lugares onde me sinto em casa. A próxima coleção será de rendas do Brasil... e depois de cartas de tarot.

Coleção 'Quatro Saudades'... caixas para documentos inspiradas em países hispânicos.

Meu cantinho, agora organizado! (ou quase isso...)



sábado, 12 de novembro de 2011

Wananos, Ticunas, Yanomamis... e Peruanos!

A Praça Tenreiro Aranha é um ponto legal para comprar artesanato em Manaus. São cerca de 20 quiosques, a maior parte deles atendidos por pessoas de origem indígena. Foi muito legal passar a tarde lá, para conversar e conhecer um pouco da diversidade de culturas e técnicas. Prá quem é paulista (ou mineiro ou gaúcho ou tudo isso junto como eu), índio é índio e ponto final. A gente não tem noção da grande diversidade de culturas e crenças debaixo do rótulo guarda-chuva de 'índio'. Conversei hoje com ticunas, wananos e yanomamis. Agora... além da beleza do artesanato dessas etnias, me chamou a atenção a forte presença do artesanato peruano. Segundo uma das artesãs com as quais conversei, os índios Ticuna (que habitam tanto o Amazonas quanto o Peru) viajam de um lado pro outro trazendo artesanato de lá prá cá. Ouvir isso me fez lembrar na hora da música do John Lennon... 'imagine there's no countries, it's easy if you try'... ticunas são ticunas no Brasil ou no Peru... para quê fronteiras, né?

Agora... se - como eu - você se importa com a procedência das peças, é bom sempre perguntar pro vendedor de onde elas vieram.
Praça Tenreiro Aranha

Arte Wanano

Amo este colorido

Bichos preguiça de Mongulu, acho que é a mesma coisa que miriti

Sous plaits de palha...mandalas maravilhosas
 
Arcos, flechas e paus de chuva

Cestaria Yanomai

Pente de índio

Comprando, ou melhor, investindo no Mercado das Pulgas




Vontade não faltou... 

Cestaria Ticuna



















Peruanos pícaros

Mara, a moça wanana que me vendeu lindas mandalas

sábado, 24 de setembro de 2011

Arranjando pulgas prá me coçar



Se você frequenta este blog, já deve ter percebido que tenho vários hobbies... trabalhar, viajar , comer e... digamos que a mais material de todas... colecionar peças de artesanato. Adoro o ambiente de feiras e negociar com os artesãos, conhecer técnicas, barganhar... Desde há muito tempo coleciono peças feitas a mão dos não poucos lugares pelos quais passei.

Ou colecionava... é... no pretérito mesmo... porque chegou um momento em que, de tanto viajar, as paredes do apartamento de dois quartos onde moro acabaram... e então substituí as portas por cortinas (todas feitas por mim) para liberar perto de dois metros quadrados de parede em cada cômodo: sala, quarto, cozinha... e esses metros extras também acabaram... no chão não tem mais um metro quadrado que seja livre para tapetes...

E aí... aconteceu algo marcante: fui pro Peru no feriado de 7 de setembro... e me encantei com a tapeçaria feita com lã de alpaca, com almofadas, com as peças de cerâmica... mas... onde colocá-las? E então, me frustrei porque ninguém aguenta ir numa feira de artesanato nos Andes só para dar uma olhadinha... impossível. Aí veio a sacada - vender algumas peças para liberar espaço para novas peças!

Conversava com a Ká sobre isso e ela me deu a ideia de fazer um brechó virtual... perfeito! Conversava então com JC e um anjo soprou no meu ouvido: www.mercadodaspulgas.net! Feito! Em 10 dias, concluí a construção da loja e, agora, estou tratando de encher as prateleiras... por enquanto tem apenas 29 itens, mas minha previsão é chegar a 200 até o final do ano. Dizem que é nos nossos hobbies que se esconde nossa vocação... então devo estar no caminho certo... Entra lá! www.mercadodaspulgas.net

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rapidinhas de Lima

O que mais gosto de fazer numa cidade que não conheço é andar a pé... caminho por horas e horas olhando as pessoas, comendo coisinhas e conversando com gente da terra... em Lima, deu para andar umas seis horas pela Plaza de Armas e por Miraflores. A Plaza de Armas corresponde ao que os mexicanos chamam de Zócalo e é onde está a sede do poder do município ou, no caso, do país. Lima merecia uma postagem mais caprichada, mas o tempo tá correndo e não quero deixar atrasar...

A coca está em todos os lugares: chá, chocolate, biscoito, folha... e na rua! Obs - este não era um ponto de venda de drogas ;-)

Comprando um imóvel no centro de Lima heheeheheheh

O que mais me preocupou, nesta placa, é que se há uma placa que manda seguir de frente, é porque deve haver outra que manda seguir de ré... juro que prestei atenção, mas não encontrei...

El Cuy Mágico - o cuy é um roedor domesticado pelos incas e muito apreciado pela culinária regional. Infelizmente, não tive chance de experimentar desta vez.

E eis que, no centro de Lima, encontrei um wanka! Uma miniatura de alguma montanha sagrada para os incas!

sábado, 10 de setembro de 2011

Cusco - a vida como ela é

No post anterior, mostrei algumas fotos do centro histórico de Cusco. É a parte que todo mundo visita, é a parte que aparece nos sites de turismo... mas tive a sorte de cair meio por acaso numa parte não turística da cidade, nos arredores do Mercado Central. Lá, a gente vê as roupas típicas de verdade e não aquelas roupas típicas feitas para tirar fotos com turistas em troca de 1 Nuevo Sol. Lá, em alguns momentos, eu era a única não chola na rua e talvez me olhassem com a mesma surpresa com que eu olho as cholitas nas ruas...