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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Agora é a vez de Benin


Foto: Revista Guaraná

Você sabe onde fica o Benin? Pois é, eu não sabia... aliás, a única coisa que eu sabia... ou melhor, que eu desconfiava... é que o país fica na África... isso até começar a trabalhar numa ARP para importação de castanha de caju de lá. Fica perto da Nigéria, Gana e Costa do Marfim, no noroeste da África. E é esse um dos motivos pelos quais eu adoro fazer ARP - cada novo processo é uma aula de Geografia, de Biologia, de Agronomia e até de História. Fico super feliz quando posso trabalhar para esses países e conhecê-los, mesmo que seja através de sites e livros, apenas...

Agora... é trabalhar a ARP de Gâmbia!

domingo, 24 de abril de 2011

De Manaíra a Tambaba - Geologia de tirar o fôlego

Cheguei esta madrugada a João Pessoa. Daqui, diz o Prof. Evaldo que, dependendo das condições meteorológicos e do grau de etanol no sangue, a gente consegue enxergar as luzes da África e que, em condições muito especiais, escutam-se os sons de lá também. Afinal, esta é a cidade mais oriental do Brasil e fica a cerca de 4000 km do continente africano. João Pessoa é uma das cidades mais verdes do mundo considerando-se a área verde por habitante. A cidade é limpa e segura. E o povo é super hospitaleiro. Por isso, não vai ser sacrifício nenhum passar uma semana em terras paraibanas.

É a minha terceira vez aqui. A primeira foi para assistir ao Endesa e a segunda, para os preparativos do Enfisa. Mas graças aos altos preços dos voos para o domingo de páscoa, fui obrigada a vir ontem... Sacrifício nenhum, repito.

Mas vamos lá. Hoje aluguei um buggy (com bugueiro, claro) e fiz um passeio longo pelo litoral sul da Paraíba. Saímos de Manaíra e fomos até Tambaba. Cerca de 40 km do centro de João Pessoa. Entre ir e voltar foram 7 horas. Ou seja, uma média de 12 km por hora (2 x 40 km/ 7 horas). O bugueiro - Rodrigo Egito - é uma dessas pessoas apaixonadas pelo que faz. Dirige buggy há 12 anos e nunca tirou férias. Nem consigo entender o por quê rsssssssssssss eu também não tiraria férias nunca de um 'trabalho' desses... privilégio ter um local de trabalho como o dele.

Rodrigo e Barbie, companheiros de viagem.


1. As falésias
Na primeira parada, o bugueiro falou que o que pensei que fossem falésias não são falésias e sim tabatingas. E disse que a diferença é que a tabatinga é uma formação argilosa, com argilas de diferentes cores. Depois, procurando no Google, li que o que eu vi foi na verdade a Falésia de Tabatinga.


2. Recifes de franja

Recifes de franja na praia de Coqueirinhos. Aqui se aplica o velho ditado 'água mole em pedra dura...' Passei um tempão olhando as ondas esculpirem a rocha e vendo a vida marinha nas frescas e poças. Uma diversidade de vida tão grande que quase me arrependo de ter excluído o conteúdo das aulas de Criptógamas e Invertebrados do meu HD interno... estava lendo há pouco que os recifes de franja são os que ocorrem paralelos à costa da qual são separados por lagoas pequenas, em contraposição aos recifes de barreira que ocorrem também paralelos à costa mas separam-se desta por lagoas grandes.

Recifes de franja na praia de Tambaba. Adorei a pedra rachada com coqueiro em cima. Dá a impressão de alguém ter dado um gole de karatê e quebrado ela no meio. E o coqueiro? Quem colocou ele aí? Aliás, um parêntese - ficar olhando para esses recifes é um exercício para imaginação. Vi baleias, cabeças, jacarés, dragões... (mas ainda não escutei os sons da África rssssssssssss)

3. Os Maceiós

Um maceió - lagoa de água doce/salobra, pelo que entendi é um mangue fechado cujas águas podem ter tido comunicação com água do mar mas agora não têm mais. Ocorre muita decomposição de matéria orgânica e o cheiro não é lá dos melhores.

4. O Cânion
Deixei o melhor por último. Quando o guia parou o buggy não acreditei no que estava vendo. Um capricho só. Essa rocha em forma de cone vem sendo esculpida há milhares de anos pelo vento e pela água... deve ter perto de 100 m de altura, sei lá. É o Castelo da Princesa (minha sobrinha ia adorar o nome). As rochas são friáveis, com muito pouca força rompem-se camadas de argila/areia das mais variadas cores. Não conseguiria dizer quantas tonalidades de marrom, vermelho, terracota e ocre eu vi.

Aqui esmagando o Castelo da Princesa com um dedo...

Aqui perplexa diante da diversidade de cores e riqueza da formação geológica.

Olhem o capricho destas formações. Em cima de cada 'palito' (algum geólogo de plantão por favor me diga o nome destas formações... elas têm uns 30 cm de altura) tem uma pequena rocha. e essas rochinhas têm cores tão variadas que a gente fica se perguntando se a pessoa que colocou elas ali não tinha mais o que fazer com o tempo dela...


Lindinho, não? Falando sério... acho que funciona assim - as pedrinhas caem numa superfície plana e à medida que vai chovendo, a erosão vai levando a parte que não está protegida pela pedrinha e vai cavocando a tabatinga. Quanto tempo será que vive uma 'tabatinguinha' dessa? Quanto tempo será que demora para a chuva e o vento transformarem o Castelo da Princesa em areia?

É bom botar a cabeça de folga. É bom saber que, mesmo tendo deixado as Ciências Naturais meio de lado, elas continuam me fascinando. E, acima de tudo, é bom encantar-se com a simplicidade, com o natural. Voltei para o hotel pensando se lá do outro lado do Atlântico encontrarei formações parecidas... afinal, quando a Pangea era Pangea, o Cabo do Seixas estava encaixadinho no Golfo da Guiné... mas... até que eu possa ir para a Nigéria ou Benin... me resta ir para a beira do mar e tentar ver as luzes e escutar os sons de lá... o difícil vai ser conseguir isso bebendo apenas água de coco ou suco de abacaxi...

sábado, 12 de março de 2011

Trabalho mais do que viajo. Não acredita? Vou provar que sim



No ano passado, ganhei o mundo de aniversário da equipe do InovaDefesa. E, no meu mundo, apliquei pontos pretos para indicar os lugares por onde já passei e pontos verdes para indicar os países para os quais já trabalhei. Somando países com pontos pretos e países com pontos verdes dá mais ou menos 25% do mundo*. Curiosa e tristemente, o número de países com pontos verdes é maior do que o número de países de pontos pretos... mas isso é porque venho me dedicando há vários anos à elaboração de Análise de Risco de Pragas (ARP). Esse é um procedimento necessário para estabelecer requisitos fitossanitários para importação de material vegetal, seja para consumo, transformação ou propagação. Através da ARP, o país importador tem segurança de que o material importado estará seguro quanto à possibilidade de introdução de organismos nocivos como insetos, ácaros, fungos, etc. E é um trabalho super legal, que me apaixonou ainda durante a pós-graduação e que até hoje me realiza muito. Primeiro, pelo aprendizado em si - cada ARP é uma aula sobre um novo setor e sobre um novo país... e sobre um conjunto novo de pragas... e segundo - e principal motivo - porque quando se abre uma nova rota comercial, induz-se o desenvolvimento não só do país importador quanto também do exportador. Nunca vou esquecer, por exemplo, das visitas que fiz aos produtores na província de Manabí, no Equador. A expectativa deles pela possibilidade de exportar ao Brasil de verdade emocionou. Isso foi em 2008, mas é inesquecível.

Em 2009, fiz juntamente com a Danúzia quatro ARPs para importação de castanha-de-caju de países africanos, a pedido do Dr. Cezar Rocha, do Sindicaju. Os requisitos fitossanitários para importação de Gana foram publicados em agosto e, da Nigéria em dezembro do ano passado. Eu não sabia, mas as indústrias brasileiras carecem de matéria prima na entressafra. Falta castanha de caju. Difícil acreditar, né? Mas é verdade... e as indústrias, por falta de matéria-prima, estavam demitindo funcionários. Então, recebi com muita alegria a notícia de que os requisitos para importação de castanha-de-caju da Costa do Marim foram publicados esta semana. Agora é esperar a publicação dos requisitos para Benin e concluir a ARP para Gâmbia. E assim, terei no meu mundinho 6 pontos verdes (Egito, Gâmbia, Benin, Costa do Marfim, Nigéria e Benin) e apenas um ponto preto (África do Sul). Viram só como eu mais trabalho do que viajo??

*não sei por quê, mas lembrei de Pinky e Cérebro enquanto escrevia esta parte...


Imprensa : Aprovada importação de castanha de caju

Enviado por editor em 11/03/2011 (5 leituras)

O Ministério da Agricultura definiu os requisitos fitossanitários para a importação de castanhas de caju (Anacardium occidentale) in natura da Costa do Marfim. “Esses produtos devem ser tratados com gás antes do embarque para eliminar possíveis pragas que ainda não ocorrem no Brasil, garantir a segurança fitossanitária da importação e proteger a agricultura brasileira”, explica o chefe da Divisão de Análise de Risco de Pragas do Ministério da Agricultura, Jefé Ribeiro. As normas foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) dessa quinta-feira, 10 de março, por meio da Instrução Normativa n° 8.

A castanha enviada ao Brasil necessita do Certificado Fitossanitário emitido pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) da Costa do Marfim. Além disso, tem que estar embalada em sacaria nova, de primeiro uso, e estar livre de material de solo e de resíduos vegetais.

Os produtos importados serão inspecionados no ponto de ingresso. Nos casos de detecção de pragas, a organização fitossanitária do país de origem será notificada e o Brasil poderá suspender as partidas até a revisão da Análise de Risco de pragas (ARP). A autoridade competente da Costa do Marfim deverá comunicar ao Ministério da Agricultura quando houver ocorrência de novas pragas no território.

Saiba Mais

A Análise de Risco de Pragas é importante para evitar a introdução de pragas quarentenárias ─ aquelas que não estão presentes no país, mas que, se introduzidas, poderão causar forte impacto econômico. (Kelly Beltrão).


Fonte: Mapa