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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Agora é a vez de Benin


Foto: Revista Guaraná

Você sabe onde fica o Benin? Pois é, eu não sabia... aliás, a única coisa que eu sabia... ou melhor, que eu desconfiava... é que o país fica na África... isso até começar a trabalhar numa ARP para importação de castanha de caju de lá. Fica perto da Nigéria, Gana e Costa do Marfim, no noroeste da África. E é esse um dos motivos pelos quais eu adoro fazer ARP - cada novo processo é uma aula de Geografia, de Biologia, de Agronomia e até de História. Fico super feliz quando posso trabalhar para esses países e conhecê-los, mesmo que seja através de sites e livros, apenas...

Agora... é trabalhar a ARP de Gâmbia!

sábado, 12 de março de 2011

Trabalho mais do que viajo. Não acredita? Vou provar que sim



No ano passado, ganhei o mundo de aniversário da equipe do InovaDefesa. E, no meu mundo, apliquei pontos pretos para indicar os lugares por onde já passei e pontos verdes para indicar os países para os quais já trabalhei. Somando países com pontos pretos e países com pontos verdes dá mais ou menos 25% do mundo*. Curiosa e tristemente, o número de países com pontos verdes é maior do que o número de países de pontos pretos... mas isso é porque venho me dedicando há vários anos à elaboração de Análise de Risco de Pragas (ARP). Esse é um procedimento necessário para estabelecer requisitos fitossanitários para importação de material vegetal, seja para consumo, transformação ou propagação. Através da ARP, o país importador tem segurança de que o material importado estará seguro quanto à possibilidade de introdução de organismos nocivos como insetos, ácaros, fungos, etc. E é um trabalho super legal, que me apaixonou ainda durante a pós-graduação e que até hoje me realiza muito. Primeiro, pelo aprendizado em si - cada ARP é uma aula sobre um novo setor e sobre um novo país... e sobre um conjunto novo de pragas... e segundo - e principal motivo - porque quando se abre uma nova rota comercial, induz-se o desenvolvimento não só do país importador quanto também do exportador. Nunca vou esquecer, por exemplo, das visitas que fiz aos produtores na província de Manabí, no Equador. A expectativa deles pela possibilidade de exportar ao Brasil de verdade emocionou. Isso foi em 2008, mas é inesquecível.

Em 2009, fiz juntamente com a Danúzia quatro ARPs para importação de castanha-de-caju de países africanos, a pedido do Dr. Cezar Rocha, do Sindicaju. Os requisitos fitossanitários para importação de Gana foram publicados em agosto e, da Nigéria em dezembro do ano passado. Eu não sabia, mas as indústrias brasileiras carecem de matéria prima na entressafra. Falta castanha de caju. Difícil acreditar, né? Mas é verdade... e as indústrias, por falta de matéria-prima, estavam demitindo funcionários. Então, recebi com muita alegria a notícia de que os requisitos para importação de castanha-de-caju da Costa do Marim foram publicados esta semana. Agora é esperar a publicação dos requisitos para Benin e concluir a ARP para Gâmbia. E assim, terei no meu mundinho 6 pontos verdes (Egito, Gâmbia, Benin, Costa do Marfim, Nigéria e Benin) e apenas um ponto preto (África do Sul). Viram só como eu mais trabalho do que viajo??

*não sei por quê, mas lembrei de Pinky e Cérebro enquanto escrevia esta parte...


Imprensa : Aprovada importação de castanha de caju

Enviado por editor em 11/03/2011 (5 leituras)

O Ministério da Agricultura definiu os requisitos fitossanitários para a importação de castanhas de caju (Anacardium occidentale) in natura da Costa do Marfim. “Esses produtos devem ser tratados com gás antes do embarque para eliminar possíveis pragas que ainda não ocorrem no Brasil, garantir a segurança fitossanitária da importação e proteger a agricultura brasileira”, explica o chefe da Divisão de Análise de Risco de Pragas do Ministério da Agricultura, Jefé Ribeiro. As normas foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) dessa quinta-feira, 10 de março, por meio da Instrução Normativa n° 8.

A castanha enviada ao Brasil necessita do Certificado Fitossanitário emitido pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) da Costa do Marfim. Além disso, tem que estar embalada em sacaria nova, de primeiro uso, e estar livre de material de solo e de resíduos vegetais.

Os produtos importados serão inspecionados no ponto de ingresso. Nos casos de detecção de pragas, a organização fitossanitária do país de origem será notificada e o Brasil poderá suspender as partidas até a revisão da Análise de Risco de pragas (ARP). A autoridade competente da Costa do Marfim deverá comunicar ao Ministério da Agricultura quando houver ocorrência de novas pragas no território.

Saiba Mais

A Análise de Risco de Pragas é importante para evitar a introdução de pragas quarentenárias ─ aquelas que não estão presentes no país, mas que, se introduzidas, poderão causar forte impacto econômico. (Kelly Beltrão).


Fonte: Mapa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

É nestas horas que a gente se sente útil

Publiquei semana passada no site da Agropec uma notícia sobre os requisitos fitossanitários para importação de castanhas-de-caju da Nigéria, regulamentados na IN 33/2010 do MAPA. Hoje, encontrei por acaso uma notícia num blog sobre cajucultura que a importação é fundamental para o setor pois as indústrias estão desabastecidas de matéria prima e 1.800 pessoas já foram demitidas. Espero que a regulamentação dos requisitos para a importação de material da Nigéria ajude a reduzir os efeitos da crise do setor. Foi uma das ARPs realizadas por mim e pela Danúzia e por encomenda do querido amigo Cezar Rocha, representante do Sindicaju. É nessa hora que a gente para e pensa 'valeu a pena dormir menos para entregar o trabalho mais depressa!'

Crise na cajucultura cearense

De acordo com os últimos dados do Grupo de Coordenação e Estatística Agropecuária (GCEA) houve redução de 61,33% da safra atual de castanha do Ceará em relação a obtida no ano passado.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Beneficiamento da Castanha de Caju, Pedro Valmir Couto, 1.800 trabalhadores já foram demitidos. A importação é imprescindível para a sobrevivência do parque industrial que emprega cerca de 10 mil pessoas, sendo 80% mulheres.
Postado por Cajucultura às 6:10 AM

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Depois de Gana, a Nigéria também pode exportar castanhas de caju para o Brasil

Mais uma ARP concluída - agora para importação de castanha de caju da Nigéria. Desta forma, o Brasil já pode importar o produto de dois países africanos. Os requisitos para importação de Gana foram regulamentados em agosto deste ano e agora estão sendo negociados os requisitos para mais dois países africanos.

Registro meu reconhecimento ao trabalho realizado pela Divisão de Análise de Risco de Pragas que, em apenas sete meses, revisou o relatório de ARP, minutou, negociou e publicou os requisitos fitossanitários. Registro, também, minha gratidão ao amigo Cezar Rocha que sempre me motivou a fazer o melhor possível - principalmente naqueles momentos em que eu estava decidida a desistir.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ein mal ist kein mal

Este (ou algo muito parecido com isso) era o título de um dos capítulos do livro 'A Insustentável Leveza do Ser', de Milan Kundera. A tradução é algo como 'uma vez é nenhuma vez'. Ou uma vez só não conta... não me lembro direito, faz mais de 20 anos que li o livro...

Me lembrei disso quando decidi postar sobre minha segunda ida para Fortaleza... durante a qual descobri que a primeira realmente não valeu... não teve tirolesa, não teve banho de mar e lagoa, não teve passeio nas dunas, nem camarões maravilhosos... tinha ido lá em 2007 por ocasião do Encontro de Fiscalização e Seminário Regional sobre Agrotóxicos. Claro que foi muito válido do ponto de vista profissional, mas não tinha aproveitado a cidade. Nadinha, nadinha. Mas desta vez.... não sei se fiz tudo o que tinha direito, mas certamente fiz tudo o que tinha vontade. E até trabalhei!!

Participei de uma reunião do Sindicaju, que é um Sindicato que reúne as principais indústrias de castanha de caju do Brasil. Eu havia trabalhado para eles na execução de ARPs para importação de material de quatro países da África e surgiu a possibilidade de ir lá explicar o que foi realizado e as próximas etapas a serem cumpridas. Me impressionou o fato de que representantes das 8-10 principais indústrias se reúnem semanalmente para discutir assuntos de interesse para o setor. Me impressionou também o ambiente em que as ideias são discutidas e a articulação e a vontade de fazer o negócio dar certo.

E assim vou vivendo... conhecendo este meu Brasilzão maravilhoso, que é mais, muito mais do que sul e sudeste! Se o povo das bandas de cá soubesse das oportunidades que há do lado de lá... puxa, como ia ser bom!!!

Finalizando, com mais três palavrinhas em alemão... (hj estou esbanjando hahahahahahah)... a vida é isso: lieben und arbeiten (não lembro se é de Freud ou Jung). As duas faculdades de uma mente sana... amar e trabalhar. Amar a vida, trabalhar com prazer. Sinto-me feliz. Profissional e pessoalmente falando. Muito feliz.