"Toda viagem deveria oferecer oportunidades para uma maior compreensão de si - e, na verdade, muitos livros de viagens são autobiografias disfarçadas: livros sobre o viajante, e não sobre o lugar" (Paul Theroux)
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sábado, 3 de março de 2012
sábado, 12 de novembro de 2011
Wananos, Ticunas, Yanomamis... e Peruanos!
A Praça Tenreiro Aranha é um ponto legal para comprar artesanato em Manaus. São cerca de 20 quiosques, a maior parte deles atendidos por pessoas de origem indígena. Foi muito legal passar a tarde lá, para conversar e conhecer um pouco da diversidade de culturas e técnicas. Prá quem é paulista (ou mineiro ou gaúcho ou tudo isso junto como eu), índio é índio e ponto final. A gente não tem noção da grande diversidade de culturas e crenças debaixo do rótulo guarda-chuva de 'índio'. Conversei hoje com ticunas, wananos e yanomamis. Agora... além da beleza do artesanato dessas etnias, me chamou a atenção a forte presença do artesanato peruano. Segundo uma das artesãs com as quais conversei, os índios Ticuna (que habitam tanto o Amazonas quanto o Peru) viajam de um lado pro outro trazendo artesanato de lá prá cá. Ouvir isso me fez lembrar na hora da música do John Lennon... 'imagine there's no countries, it's easy if you try'... ticunas são ticunas no Brasil ou no Peru... para quê fronteiras, né?
Agora... se - como eu - você se importa com a procedência das peças, é bom sempre perguntar pro vendedor de onde elas vieram.
Agora... se - como eu - você se importa com a procedência das peças, é bom sempre perguntar pro vendedor de onde elas vieram.
| Praça Tenreiro Aranha |
| Arte Wanano |
| Amo este colorido |
|
| Sous plaits de palha...mandalas maravilhosas |
A
| Arcos, flechas e paus de chuva |
| Cestaria Yanomai |
| Pente de índio |
| Comprando, ou melhor, investindo no Mercado das Pulgas |
| Vontade não faltou... |
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Curiosidades botânicas
Até bem pouco tempo atrás, Tucumã era, para mim, o nome de uma província na Argentina onde vive meu querido amigo Sergio Ovruski. Mas, nas minhas últimas andanças por Manaus, aprendi que tucumã é, também, o nome de uma palmeira, a Astrocaryym aculeatum muito presente na culinária amazonense. Faz-se de tudo com o tucumã: come-se com pão, com tapioca, na pizza, em sorvete... e, não bastasse isso, a semente é usada para artesanato. Ela é bem dura e usada para confeccionar brincos e aneis com prata. O contraste da semente escura com a prata dá uma combinação muito fina. Aprendi também que um anel que comprei em Brasília e que me falaram que era feito de coco é, na verdade, feito de tucumã! Por isso que eu sempre digo - gosto de viajar, de circular, de conversar com gente da terra... porque tem coisas que não estão nos livros nem nos sites...
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Sergio Ovruski
Na dúvida, experimente de novo
Não sei ao certo de onde isso vem, mas adoro comer coisas diferentes. Na maior parte das vezes, me dou bem. Outras, não tanto. Mas melhor uma vida com sabores diferentes para lembrar do que comer sempre o mesmo prato. Desta vez, comi o tacacá. Acho que já tinha comido antes, em Belém. Mas não tenho certeza. Esta é a vantagem de ter memória ruim - a gente faz a mesma coisa mais de uma vez e fica achando que é sempre a primeira vez.
O tacacá é feito com tucupi, leva goma de tapioca, camarão seco e jambu. O jambu (Acmella oleracea) é uma folhinha que anestesia a língua e que me lembro de ser bastante presente na culinária do Pará por causa de alquilamidas. Dizem que as folhas têm propriedades anestésicas, digestivas e diuréticas.
O tacacá é feito com tucupi, leva goma de tapioca, camarão seco e jambu. O jambu (Acmella oleracea) é uma folhinha que anestesia a língua e que me lembro de ser bastante presente na culinária do Pará por causa de alquilamidas. Dizem que as folhas têm propriedades anestésicas, digestivas e diuréticas.
Agora, já posso dizer que comi tudo o que Ney Matogrosso canta em 'Não existe pecado ao sul do Equador': Deixa a tristeza prá lá, vem comer, vem jantar sarapateu, caruru, tucupi, tacacá... Ê Brasilzão maravilhoso cheio de sabores e receitas!
Sobre o Tacacá (Wikipedia)
Tacacá é uma iguaria da região amazônica brasileira, em particular do estado do Pará. É preparado com um caldo fino e bem temperado geralmente com sal, cebola, alho, coentro do norte, coentro e cebolinha, de cor amarelada, chamado tucupi, sobre o qual se coloca goma de tapioca, também conhecida como polvilho, camarão seco e jambu. Serve-se muito quente, temperado com pimenta, emcuias. O tucupi e a tapioca (da qual se prepara a goma), são resultados da massa ralada da mandioca que, depois de prensada para fazer farinha, resulta num líquido leitoso-amarelado. Após deixado em repouso, a tapioca fica depositada no fundo do recipiente e o tucupi na sua parte superior.
Sua origem é dos indígenas paraenses e, segundo Câmara Cascudo, deriva de um tipo de sopa indígena denominada mani poi. Câmara Cascudo diz que “Esse mani poí fez nascer os atuais tacacá, com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta, sal, às vezes camarões secos.”.
| Tacacá na Praça São Sebastião |
| Pirarucu a Delícia |
| Tapioca com castanha-do-brasil |
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Mendokusai
Não é que eu seja mal humorada. Eu apenas gosto de exercer os meus direitos de me programar, de me organizar e de receber aquilo que contratei... e, também, não é que eu seja chata. É que meu tempo é um recurso finito, escasso e não renovável. Portanto, não gosto de desperdiçá-lo... dinheiro, eu até gasto à toa... tempo, não. Passei o dia de hoje de folga forçada em Manaus. Mal começamos o curso com o pessoal da CODESAV e IDAM e a luz acabou. Uma hora se passou, duas horas se passaram e nada dela voltar. A essa altura, mesmo se a luz voltasse, não conseguiria cumprir o programa todo dentro das horas que os alunos tinham disponíveis. E decidimos suspender o curso e concluir somente em março do ano que vem, quando eu voltar para cá para o Enfisa Norte. Depois ficamos sabendo que o blecaute foi geral na cidade.
A luz só voltou por volta das 14h e, a essa altura, eu já estava fazendo a única coisa que eu poderia fazer sem internet, sem bateria no notebook e sem sinal da Tim no celular: batendo perna. Claro que adoro bater perna, claro que adoro fazer compra, mas nessa situação... Tá... algumas pessoas até podem dizer que estou fazendo tempestade num copo d'água... que se todos os problemas do mundo fossem esse, tava bom... que ninguém vai morrer porque o curso teve que ser interrompido. Concordo com tudo isso. Eu sei que ninguém tem culpa se um raio caiu... racionalmente, sei que estou sendo exagerada. Mas... odeio a sensação de dever não cumprido. Odeio voltar para casa sem ter concluído minha tarefa. De novo - não é que eu seja chata, sou é focada em resultado e a falta de resultados me deixa tiririca assim. Prá mim, isso tem gosto de cabo de guarda-chuva... mas... como dizem, o que não tem solução solucionado está. Volto pra casa aborrecida, mas consciente por ter feito a minha parte dentro dos recursos que estavam disponíveis. Sinto pela Codesav, que disponibilizou passagens e hospedagem prá gente vir prá cá... sinto especialmente pela Alessandra, que se dedicou tanto para que o curso acontecesse... e prometo que, na primeira oportunidade que houver, a gente vai até o final.
| Meus semi alunos amazonenses |
domingo, 28 de agosto de 2011
Fica tranquilo, um mês passa depressa...
Foi com essa frase que o Marcos, com seu elegante sarcasmo, deixou o Oder apavorado na reunião preparatória do ENFISA 2008 que aconteceria em Rio Branco no mês seguinte... o coitado do Oder já estava em pânico e, com uma 'força' dessas, deve ter passado quatro semanas sem dormir... mas é assim mesmo... quem coordena um evento pela primeira vez fica preocupado, é natural... mas, à medida que o ENFISA vem amadurecendo, a gente já tem uma agenda de trabalho mais ou menos pré-determinada... e acho - ou espero - que isso facilita...e, também, agora os preparativos começam bem antes do que no tempo do Oder... mal termina um evento e a gente já começa a trabalhar no evento do ano que vem...
Este mês, demos o pontapé inicial em Manaus, que sediará o Regional Norte do ano que vem. A Alessandra e a Bárbara fizeram um grande trabalho no sentido de mobilizar o pessoal da Saúde, CREA, SFA, Universidade e Federação da Agricultura. Foi decidido, que haverá um curso pré-evento, da mesma forma que realizado em Boa Vista e que tentaremos trazer os CREAs da região Norte para se reunirem em paralelo aos fiscais dos estados. Foram também levantados os temas para discussão e tomadas providências para contratação de infraestrutura e programação social.
E vamo que vamo. O evento é 'só' em março mas sete meses também passam rápido!
Em primeiro plano, da esquerda para a direita: Andrea Waichman (UFAM), Alessandra Fabíola Siqueira D'Castro (CODESAV), Eunice Cunha Menezes (FAEA), Antônio Joaquim do Espírito Santo Oliveira (CREA-AM), Maria Aldenir Mota de Brito (SFA-AM). Em segundo plano: eu, Augusto Kluczkovski Jr. (FVS).
Participam também da Comissão Organizadora: Bárbara Brandão (CODESAV), Luiz Antônio da Silva (CODESAV), Izaura Ester Delgado de Souza Pires (CODESAV) e João Lucas Neto (CODESAV).
Este mês, demos o pontapé inicial em Manaus, que sediará o Regional Norte do ano que vem. A Alessandra e a Bárbara fizeram um grande trabalho no sentido de mobilizar o pessoal da Saúde, CREA, SFA, Universidade e Federação da Agricultura. Foi decidido, que haverá um curso pré-evento, da mesma forma que realizado em Boa Vista e que tentaremos trazer os CREAs da região Norte para se reunirem em paralelo aos fiscais dos estados. Foram também levantados os temas para discussão e tomadas providências para contratação de infraestrutura e programação social.
E vamo que vamo. O evento é 'só' em março mas sete meses também passam rápido!
Participam também da Comissão Organizadora: Bárbara Brandão (CODESAV), Luiz Antônio da Silva (CODESAV), Izaura Ester Delgado de Souza Pires (CODESAV) e João Lucas Neto (CODESAV).
domingo, 21 de agosto de 2011
Batendo perna (e foto) no Centro Histórico de Manaus
Hoje já é dia 28, já faz duas semanas que estive em Manaus e ainda não consegui ainda postar as fotos do centro da cidade... mas é que agosto foi brabo...
Manaus foi fundada no século XVII e teve seu auge no ciclo da borracha no século XIX... é dessa época a construção de um teatro que, na minha opinião, é um dos mais lindos do Brasil. Não que conheça muitos... mas o de Manaus é realmente de tirar o chapeu. O que mais impressiona é a cúpula, que tem um mosaico muito rico... pelo que li, ele é formado de 36 mil peças trazidas de Paris. Um luxo.
Bem em frente ao teatro, tem o Monumento pela Abertura dos Portos às Nações Amigas, inaugurado em 1900, por ocasião da abertura dos portos do Rio Amazonas ao comércio internacional. É lindo e tem tudo a ver com as ideias que circulam no espaço entre minhas duas orelhas atualmente... mas... me chamou a atenção a presença de apenas 4 barcos: Evropa (não é erro, não... antigamente se escrevia assim), Ásia, África e América... a Oceania não aparece... não consegui uma boa explicação para isso ainda...
E do lado, a Igreja de São Sebastião, também do final do século XIX... paradinha para pensar na vida e em tudo de bom que ela tem me proporcionado... a Alessandra me contou que a igreja só tem uma torre porque a outra foi perdida...
Início da caminhada do Porto ao Teatro - este é o Prédio da Alfândega. Como muitos outros em Manaus, o projeto e todo o material foi trazido de navio da Europa.
Teatro Amazonas, com sua cúpula maravilhosa. Fico me perguntando quem foi o obstinado que levou a cabo o projeto desse mosaico...
Monumento pela Abertura dos Portos às Nações Amigas, do escultor italiano Domênico de Angelis, em mármore, granito e bronze. Detalhe para os psicitacídeos que, ao vivo, eram bem verdinhos... pena que a foto ficou meio sem cor...


Cúpula da Igreja de São Sebastião, a pintura foi trazida pronta da Itália.

Alessandra, da Codesavm coordenadora do Enfisa Regional Norte 2012, minha professora sobre Manaus!
Ler mais sobre o Teatro Amazonas e a Igreja de São Sebastião
Manaus foi fundada no século XVII e teve seu auge no ciclo da borracha no século XIX... é dessa época a construção de um teatro que, na minha opinião, é um dos mais lindos do Brasil. Não que conheça muitos... mas o de Manaus é realmente de tirar o chapeu. O que mais impressiona é a cúpula, que tem um mosaico muito rico... pelo que li, ele é formado de 36 mil peças trazidas de Paris. Um luxo.
Bem em frente ao teatro, tem o Monumento pela Abertura dos Portos às Nações Amigas, inaugurado em 1900, por ocasião da abertura dos portos do Rio Amazonas ao comércio internacional. É lindo e tem tudo a ver com as ideias que circulam no espaço entre minhas duas orelhas atualmente... mas... me chamou a atenção a presença de apenas 4 barcos: Evropa (não é erro, não... antigamente se escrevia assim), Ásia, África e América... a Oceania não aparece... não consegui uma boa explicação para isso ainda...
E do lado, a Igreja de São Sebastião, também do final do século XIX... paradinha para pensar na vida e em tudo de bom que ela tem me proporcionado... a Alessandra me contou que a igreja só tem uma torre porque a outra foi perdida...
Ler mais sobre o Teatro Amazonas e a Igreja de São Sebastião
domingo, 14 de agosto de 2011
Disney? Nãooooooooo! Manaus, sempre Manaus!
Estar em Manaus traz prá mim sempre a sensação de voltar a um ponto inicial. Sim, afinal, foi para lá minha primeira viagem de avião aos 16, minha primeira viagem sem um adulto para tomar conta de mim, minha primeira viagem para a região Norte... já na época, eu dava sinais claros de que era meio 'diferente' pois preferi ir para lá ao invés de ir para a Disney... isso, há quase 25 anos, era prá lá de esquisito em um adolescente... mas, para mim, era algo muito natural querer conhecer meu país e o maior rio do mundo... Como o trabalho começava na segunda-feira de manhã, optei por ir no domingo cedo, de forma que poderia aproveitar a parte da tarde fazendo um passeio. E assim foi. Pela terceira vez, lá fui eu ver o encontro das águas dos rios Negro e Solimões... ver bicho preguiça, jiboia, jacaré... e me apaixonar pela enésima vez... amo muito a região Norte do Brasil, tudo tão grande, tão sui generis, tão desafiador...
Estação Hidroviária do Amazonas. Aqui, você pode contratar um barco ou lancha e fazer passeios em grupos ou individuais.
Mercado do peixe - aqui é onde se entrega e comercializa o que sai de dentro desse riozão.
Paradinha para ver a floresta com árvores imensas - samaúmas, castanheiras e um sem número de espécies...
Samaúma... não sei dizer quantos metros tem essa árvore... talvez uns 30... 40... é a que se chama no México e América Central de ceiba... disse o guia que os índios batem no tronco e o som ecoa por uns 5 km e esses sons são usados para comunicação. Telefone da selva...
Raízes da samaúma
Posto de combustível flutuante. Existem às dezenas na proximidade de Manaus.
Paradinha para ver as vitórias régias.
Antes, havia muitos barcos e casas com bichos da selva prá gente conhecer e tirar foto... agora, sobraram poucos por motivos óbvios... eu penso o seguinte - turista gosta de ver os bichos de perto e, antes de proibirem, as autoridades deveriam criar uma estrutura tipo um zoológico flutuante, why not?
Quem é que não se encanta com este bicho?
Em algum lugar nesta foto tem um bicho preguiça...
Estação Hidroviária do Amazonas. Aqui, você pode contratar um barco ou lancha e fazer passeios em grupos ou individuais.
Mercado do peixe - aqui é onde se entrega e comercializa o que sai de dentro desse riozão.
Paradinha para ver a floresta com árvores imensas - samaúmas, castanheiras e um sem número de espécies...
Samaúma... não sei dizer quantos metros tem essa árvore... talvez uns 30... 40... é a que se chama no México e América Central de ceiba... disse o guia que os índios batem no tronco e o som ecoa por uns 5 km e esses sons são usados para comunicação. Telefone da selva...
Raízes da samaúma
Posto de combustível flutuante. Existem às dezenas na proximidade de Manaus.
Paradinha para ver as vitórias régias.
Antes, havia muitos barcos e casas com bichos da selva prá gente conhecer e tirar foto... agora, sobraram poucos por motivos óbvios... eu penso o seguinte - turista gosta de ver os bichos de perto e, antes de proibirem, as autoridades deveriam criar uma estrutura tipo um zoológico flutuante, why not?
Quem é que não se encanta com este bicho?
Em algum lugar nesta foto tem um bicho preguiça...
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