29/02/12 - 15:30
Fronteiras dos estados do Norte podem ser portas de entrada de mais de 100 pragas no Brasil
Reunido nesta terça-feira (28) em Porto Velho, Rondônia, o Conselho Nacional dos Secretários de Agricultura, Conseagri, decidiu encaminhar ofício aos Ministérios da Justiça, Defesa, Agricultura e Casa Civil, solicitando a inclusão da defesa agropecuária nas operações das Forças Armadas, e Sentinela, realizadas pela PF, com o objetivo de reforçar a defesa sanitária nas fronteiras. Os estados do Acre, Rondônia, Amapá, Roraima, Amazonas e Pará fazem fronteira com o Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, países onde existem mais de uma centena de pragas que podem migrar para o Brasil, estando entre elas doenças graves como a Monilíase do Cacaueiro, mais devastadora que a vassoura-de-bruxa; a Mosca da Carambola, uma das mais destrutivas dos frutos carnosos, atacando mais de 30 espécies de fruteiras de importância econômica; o Acaro Vermelho das Palmeiras, que agride o coco, banana, dendê e Palmito, e a Sigatoka Negra, que pode prejudicar muito a cultura da banana, dentre outras.
Em recente declaração à imprensa, o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, anunciou que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica terão como prioridade, nos próximos 20 anos, a defesa da Amazônia, das fronteiras brasileiras e da chamada Amazônia Azul (águas jurisdicionais brasileiras). “Nós desejamos a participação das Forças Armadas na construção desse escudo protetor que estamos articulando com os secretários dos Estados do Norte de País, visando evitar que o Brasil sofra incalculáveis prejuízos econômicos e sociais”, afirma o presidente do Conseagri.
Secretário Agricultura da Bahia e presidente do Conseagri, o engenheiro agrônomo Eduardo Salles explicou que a proposta é treinar os militares e os agentes da Polícia Federal que patrulham as fronteiras e combatem o tráfico de entorpecentes, capacitando-os para atuar como fiscais agropecuários. De acordo com Paulo Emílio Torres, diretor geral da Agência de Defesa agropecuária da Bahia (Adab), essa experiência vem sendo realizada com sucesso na Bahia, nas estradas estaduais e federais, com os patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e Polícia Rodoviária Estadual.
A Funai também será convidada para participar desse esforço, porque uma das possibilidades de entrada de pragas no País pela região amazônica são as tribos indígenas, algumas ainda sem contato com a civilização, que transitam por entre os estados, e até por países que fazem fronteiras com o Brasil, transportando sementes e mudas, sem qualquer controle sanitário. Os agentes da Funai também poderão ser treinados para atuar como fiscais agropecuários.
O perigo se torna maior em função das rodovias e pontes que estão sendo construídas na região, interligando os estados entre si e com outros países da América do Sul, a exemplo da estrada transoceânica, que liga Rio Branco a Lima no Peru, disse Eduardo Salles ao fazer uma apresentação detalhando as pragas existentes no Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, no total de 144.
Terra para estrangeiros
Considerada por todos os secretários como a melhor e mais produtiva reunião do Conseagri, o encontro de Porto Velho foi marcado pela discussão de temas polêmicos, gerando encaminhamentos que vão aterrisar na mesa dos ministros da Agricultura e do Trabalho e também da Advocacia Geral da União (AGU). Um dos temas debatidos foi os impactos negativos do parecer da AGU, vetando a compra de terras por estrangeiros, decisão que tem feito o Brasil perder diariamente milhões de dólares e a possibilidade de gerar milhares de empregos.
Somente no setor de florestas plantadas já são R$ 36 bilhões que deixaram de ser investidos por estrangeiros, por causa da proibição da AGU, informou Cesar Augusto dos Reis, diretor executivo da Associação Brasileira de Florestas Plantadas, que pediu apoio aos secretários para resolver esse impasse. Na Bahia, relatou o secretário Eduardo Salles, bilhões de dólares deixaram de ser investidos no setor agropecuário, por causa da insegurança jurídica. “Nós somos contra a especulação imobiliária, mas a favor da produção”, disse ele, defendendo a proposta de que os estrangeiros que queriam investir na produção e na agroindustrialização tenham o direito de comprar terras para produzir o equivalente a 50% da capacidade instalada de processamento. “Desta forma os recursos internacionais são investidos no setor e nas suas infraestruturas importantíssimas para o País. Ao mesmo tempo, os produtos agropecuários são agroindustrializados, ao invés de serem vendidos como commodities, gerando milhares de empregos”, diz o secretário.
Por unanimidade, o Conselho decidiu elaborar um documento mostrando a preocupação dos secretários com o momento de paralisia do setor agropecuário em função do parecer da AGU e encaminhá-lo à Casa Civil da presidência da República, à AGU, aos ministérios da Agricultura e da Indústria e Comércio e ao vice-presidente da República.
No Dia 2 de abril os membros do Conseagri terão audiência com o ministro Mendes Filho, da Agricultura, quando o assunto será discutido. Também os governadores, senadores e deputados de cada Estado serão mobilizados para buscar a solução para esse grave problema.
Questões indígenas e trabalhistas preocupam os secretários
As questões indígena e trabalhistas também foram colocadas em pauta pelo secretário Eduardo Salles, e debatidas na reunião do Conseagri. Com relação ao primeiro assunto, o Conselho decidiu por unanimidade enviar ao Congresso Nacional moção de apoio à votação imediata e aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 215. Esta PEC transfere ao Congresso a competência exclusiva para homologar as demarcações de terras indígenas. Ficou definido que será enviado um oficio ao presidente da Câmara, Ministérios afins ao assunto e lideranças políticas dos estados.
Com relação às questões trabalhistas, que Salles classifica como de extrema importância para o setor agropecuário, o Conseagri decidiu ampliar o debate com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Contag, e com a Confederação Nacional da Agricultura. Um documento sistematizando as idéias e propostas será elaborado e enviado a estas entidades.
Conama
Outra decisão importante do Conseagri, encaminhada pelo vice-presidente da entidade, Eron Bezerra, secretário da Agricultura do Amazonas, foi a reivindicação de assento no Conselho Nacional do Meio Ambiente, Conama. “Precisamos ter voz nos fóruns que decidem questões relacionadas à produção”, disse Bezerra. Um documento solicitando formalmente assento n Conama será enviado aos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, Casa Civil, presidente da República e ao Conama.
SEAGRI - BA
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"Toda viagem deveria oferecer oportunidades para uma maior compreensão de si - e, na verdade, muitos livros de viagens são autobiografias disfarçadas: livros sobre o viajante, e não sobre o lugar" (Paul Theroux)
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sexta-feira, 2 de março de 2012
terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Santo de Casa (Autor: Roberto Rodrigues)
Publicado no jornal Folha de São Paulo-11/9/2010
A séria revista britânica The Economist publicou na semana passada uma longa matéria elogiando a agricultura brasileira, causando enorme sentimento de orgulho em todo o interior do nosso país.
Afinal, o artigo chamava a atenção do mundo desenvolvido para o espetacular crescimento de nossa agropecuária, e sem subsídios. Mais do que isso, o articulista enfatizava o caráter sustentável deste crescimento, mostrando que o produtor brasileiro, confrontado com o protecionismo exagerado dos governos dos países ricos para com seus agricultores, optou pela incorporação de tecnologia e de gestão, vencendo os concorrentes através da melhoria da sua competitividade. E sempre é bom lembrar que um produto só é competitivo se tiver qualidade e preço que agradem ao consumidor.
Com efeito, o grande desafio da humanidade neste século XXI é compatibilizar a necessidade de aumentar a produção de alimentos com a preservação dos recursos naturais. Se as previsões da OCDE/FAO estiverem corretas - e tudo indica que estão - a demanda mundial por comida crescerá 20% nos próximos 10 anos, e ao Brasil caberá aumentar em 40% sua produção para compensar a incapacidade de crescimento das outras regiões produtoras. Isto significa um aumento de produção de quase 4% ao ano, um número nada trivial. E, é claro, não faltam os adversários do nosso agro, concorrentes lá de fora ou desinformados daqui, apregoando que nosso crescimento se dará às custas da derrubada da Amazônia ou que tais.
A verdade, como mostrado na publicação inglesa, é que nosso agro é extremamente sustentável, e isso não é uma promessa, já demos a prova deste fato: nos últimos 20 anos a área plantada com grãos no Brasil aumentou 25% e a produção saltou 154%!! Isto significa que, se tivéssemos hoje a mesma produtividade por hectare de 20 anos atrás, necessitaríamos de mais 42 milhões de hectares de mata para termos a mesma produção. Isto ninguém fala, ninguém comenta, foi preciso um inglês reconhecê-lo. O mesmo se dá com a cana-de-açúcar, cuja produtividade cresceu quase 60% desde que o Proálcool começou, "salvando" mais de 4 milhões de hectares.
Pois é com base nestes dados esclarecedores que o The Economist lança o alerta aos agricultores europeus: "copiem os brasileiros, com tecnologia em vez das tetas dos governos" (claro que não é assim que está escrito, mas o espírito é este).
E, apesar de uma minoria dos nossos proprietários rurais ainda não estarem respeitando os preceitos da sustentabilidade, a grande maioria já está no caminho adequado.
Se não fosse por outra razão, a simples necessidade de competir para sobreviver levou a isto. Depois da dura tríplice colisão vivida pelo campo brasileiro entre o Plano Collor (1990) e o Plano Real (1994), fomos forçados a buscar tecnologia e gestão para avançar. O país tinha uma inflação surreal de mais de 50% ao mês, era fechado em relação ao mundo e vivia com políticas públicas protecionistas. E de repente, após aqueles planos, a inflação ficou civilizada, o país se abriu ao mundo sem nenhuma proteção e a política pública faliu. Foi um duríssimo processo de ajuste que custou caro socialmente: milhares de produtores, sobretudo os pequenos e os da fronteira agrícola, perderam tudo o que tinham. E os remanescentes precisaram se reinventar. É verdade que ainda restam pesadas dívidas daqueles tempos, mais tarde aumentadas com a maior crise agrícola dos últimos 50 anos 2004/2006, mas isto tudo deverá ser superado e o país poderá avançar se tiver juízo e eliminar os resíduos do velho Custo Brasil.
Mas também é preciso que os produtores europeus, americanos e asiáticos leiam bem o Economist, e tratem de colaborar para a finalização da Rodada de Doha da OMC. É lá que será decidida a redução do protecionismo agrícola dos ricos, dando chance aos produtores tropicais de seguir o exemplo do Brasil e ocupar seu espaço ao Comércio Mundial Agrícola.
ROBERTO RODRIGUES, 67, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
A séria revista britânica The Economist publicou na semana passada uma longa matéria elogiando a agricultura brasileira, causando enorme sentimento de orgulho em todo o interior do nosso país.
Afinal, o artigo chamava a atenção do mundo desenvolvido para o espetacular crescimento de nossa agropecuária, e sem subsídios. Mais do que isso, o articulista enfatizava o caráter sustentável deste crescimento, mostrando que o produtor brasileiro, confrontado com o protecionismo exagerado dos governos dos países ricos para com seus agricultores, optou pela incorporação de tecnologia e de gestão, vencendo os concorrentes através da melhoria da sua competitividade. E sempre é bom lembrar que um produto só é competitivo se tiver qualidade e preço que agradem ao consumidor.
Com efeito, o grande desafio da humanidade neste século XXI é compatibilizar a necessidade de aumentar a produção de alimentos com a preservação dos recursos naturais. Se as previsões da OCDE/FAO estiverem corretas - e tudo indica que estão - a demanda mundial por comida crescerá 20% nos próximos 10 anos, e ao Brasil caberá aumentar em 40% sua produção para compensar a incapacidade de crescimento das outras regiões produtoras. Isto significa um aumento de produção de quase 4% ao ano, um número nada trivial. E, é claro, não faltam os adversários do nosso agro, concorrentes lá de fora ou desinformados daqui, apregoando que nosso crescimento se dará às custas da derrubada da Amazônia ou que tais.
A verdade, como mostrado na publicação inglesa, é que nosso agro é extremamente sustentável, e isso não é uma promessa, já demos a prova deste fato: nos últimos 20 anos a área plantada com grãos no Brasil aumentou 25% e a produção saltou 154%!! Isto significa que, se tivéssemos hoje a mesma produtividade por hectare de 20 anos atrás, necessitaríamos de mais 42 milhões de hectares de mata para termos a mesma produção. Isto ninguém fala, ninguém comenta, foi preciso um inglês reconhecê-lo. O mesmo se dá com a cana-de-açúcar, cuja produtividade cresceu quase 60% desde que o Proálcool começou, "salvando" mais de 4 milhões de hectares.
Pois é com base nestes dados esclarecedores que o The Economist lança o alerta aos agricultores europeus: "copiem os brasileiros, com tecnologia em vez das tetas dos governos" (claro que não é assim que está escrito, mas o espírito é este).
E, apesar de uma minoria dos nossos proprietários rurais ainda não estarem respeitando os preceitos da sustentabilidade, a grande maioria já está no caminho adequado.
Se não fosse por outra razão, a simples necessidade de competir para sobreviver levou a isto. Depois da dura tríplice colisão vivida pelo campo brasileiro entre o Plano Collor (1990) e o Plano Real (1994), fomos forçados a buscar tecnologia e gestão para avançar. O país tinha uma inflação surreal de mais de 50% ao mês, era fechado em relação ao mundo e vivia com políticas públicas protecionistas. E de repente, após aqueles planos, a inflação ficou civilizada, o país se abriu ao mundo sem nenhuma proteção e a política pública faliu. Foi um duríssimo processo de ajuste que custou caro socialmente: milhares de produtores, sobretudo os pequenos e os da fronteira agrícola, perderam tudo o que tinham. E os remanescentes precisaram se reinventar. É verdade que ainda restam pesadas dívidas daqueles tempos, mais tarde aumentadas com a maior crise agrícola dos últimos 50 anos 2004/2006, mas isto tudo deverá ser superado e o país poderá avançar se tiver juízo e eliminar os resíduos do velho Custo Brasil.
Mas também é preciso que os produtores europeus, americanos e asiáticos leiam bem o Economist, e tratem de colaborar para a finalização da Rodada de Doha da OMC. É lá que será decidida a redução do protecionismo agrícola dos ricos, dando chance aos produtores tropicais de seguir o exemplo do Brasil e ocupar seu espaço ao Comércio Mundial Agrícola.
ROBERTO RODRIGUES, 67, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
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Roberto Rodrigues
domingo, 15 de agosto de 2010
Dá, ainda, para falar mal do agronegócio?
Não conheço o autor, apenas sei que é agrônomo... e que quem me mandou este texto foi o Rangel.
O Sr. Oliveira levanta-se de manhã e veste-se com roupas de algodão, algodão esse crescido nos campos de Chapadão do Sul( MS), Campo Novo dos Parecis(MT) e processado em Blumenau, SC. Talvez esteja um pouco frio e ele use um pulôver de lã de carneiros criados em Pelotas, RS e fabricado em Americana, SP. Calça seus sapatos de couro vindo de bois do Mato Grosso, e fabricados em Novo Hamburgo, RS.
Ele toma café da manhã, com ovos vindos de Bastos, SP, leite de uma cooperativa do Rio de Janeiro, broa de milho colhido em Londrina, PR, um mamão vindo do Espírito Santo, suco de laranja de Araraquara, SP e um cafezinho vindo direto de São Lourenço, MG.
Ele lê um jornal, impresso em papel feito de eucalipto crescido em Três Lagoas, MS.
O Sr. Oliveira entra em seu carro, abastecido com álcool de cana de açúcar produzida em Piracicaba, SP, com pneus de borracha saída dos seringais de São José do Rio Preto, SP.
Enquanto ele vai ao trabalho, a Sra. Oliveira vai às compras nos supermercados do bairro, sempre pesquisando os melhores preços das frutas, das verduras e da carne para não apertar o orçamento familiar.
No almoço, o Sr. Oliveira come um filé de frango criado no Paraná, alimentado com soja e milho de Goiás e de Mato Grosso, com molho de tomate de Goiás. Tem arroz do Rio Grande do Sul, feijão dos pivôs do oeste baiano.
Tem salada das hortas de Mogi das Cruzes, SP. Suco de uvas do Vale do São Francisco e de sobremesa goiabada feita com goiabas de Valinhos, SP e açúcar de Ribeirão Preto, SP, e queijo de Uberlândia, MG. Outro cafezinho dessa vez da Bahia.
Hoje a noite é de comemoração. Sua empresa fez um corte de pessoal mas felizmente o Sr. Oliveira manteve o emprego. Ele leva a esposa jantar fora. Vinho do Vale dos Vinhedos gaúcho. Presuntos e frios de porco criado em Santa Catarina, alimentado com soja paranaense, filet mignon de bois criados no Sul do Pará. Chocolate produzido com cacau do sul da Bahia. E outro café de Minas, adoçado com açúcar pernambucano.
O Sr. Oliveira é um homem razoavelmente informado e inteligente. No dia seguinte ele lerá os jornais novamente. Pelos jornais ele ficará sabendo que há conflitos em terras indígenas recentemente demarcadas e fazendeiros cujas famílias foram incentivadas a ocupar aquelas terras há décadas atrás.
Pelos jornais ele ficará sabendo que a pecuária é a maior poluidora do país (embora ele mesmo tenha o sonho de um dia abandonar a cidade poluída e viver no campo por uma qualidade de vida melhor). Pelos jornais ele tem notícias de invasões de terras, de conflitos agrários, de saques e estradas bloqueadas (o Sr.Oliveira é a favor da reforma agrária, embora repudie a violência).
Pelos jornais ele toma conhecimento de ações do Ministério Público contra empresas do agronegócio (ele não entende que mal há em empresas que ganham dinheiro). Pelos jornais ele acha que a Amazônia está sendo desmatada por plantadores de soja e criadores de boi.
Mas o Sr. Oliveira pensa que isso não tem nada a ver com ele.Pois eu gostaria de agarrá-lo pela orelha, e gritar bem alto, de megafone talvez, não um, nem dez, mas mil megafones que TUDO ISSO É PROBLEMA DELE SIM!
-Gostaria de lhe dizer que a agropecuária está presente em todos os dias da vida dele.
-Gostaria de lhe dizer que o agronegócio gera um terço do PIB e dos empregos do país. Gostaria de lhe dizer que quem diz que a pecuária polui mente descaradamente.
-Gostaria de lhe dizer que o maior desmatador da Amazônia o INCRA, que com o dinheiro dos impostos dele sustenta assentamentos que não produzem absolutamente nada, condenando uma multidão de miseráveis
manipulados por canalhas balizados por uma ideologia assassina à eterna assistência do Estado.
-Gostaria de lhe dizer que estes mesmos canalhas estão tentando, sob a palatável desculpa dos direitos humanos, acabar com o direito de propriedade, arruinando qualquer futuro para o agronegócio brasileiro.
-Gostaria de lhe dizer, que os mesmos canalhas querem fechar índios que há 5 séculos estão em contato com brancos em gigantescos zoológicos onde eles estarão condenados à miséria e ao suicídio.
-Gostaria de lhe dizer que índios são 0,5% da população brasileira e não obstante são donos de 13% do país.
-Gostaria de lhe dizer que querem transformar 2/3 do país em reservas e parque que estão sendo demarcados sobre importantes reservas minerais e aqüíferos subterrâneos essenciais para o futuro do país.
-Gostaria de lhe dizer que a agricultura ocupa apenas 7,5% da superfície do país, e que mesmo assim somos os maiores exportadores do mundo de carne, soja, café, açúcar, suco de laranja e inúmeros outros produtos.
-Gostaria de lhe dizer que podemos dobrar ou triplicar a produção pecuária do país sem derrubar uma árvore sequer..
-Gostaria de lhe dizer que produtores rurais não são a espécie arrogante e retrógrada que os canalhas dizem que são.
-São gente que está vivendo em lugares onde você não se animaria a viver, transitando por estradas intransitáveis e mortais, acordando nas madrugadas para ver nascer um animal, rezando para chover na hora de plantar e para parar de chover na hora de colher, com um contato e um conhecimento da natureza muito maior do que o seu. São gente cujos antepassados foram enviados às fronteiras desse país para garantir que esse território fosse nosso, foi gente incentivada a abrir a mata, abrir estradas, plantar e colher, às vezes por
causa do governo, às vezes apesar dele.
-Gostaria enfim de gritar a plenos pulmões, que qualquer problema que afete um produtor rural, uma empresa rural, uma agroindústria É UM PROBLEMA DELE, DO PAÍS E DO MUNDO.
-Sim, porque no mesmo jornal que o Sr. Oliveira leu, há uma nota de rodapé que diz que há 1 bilhão de pessoas no mundo passando fome.
-E grito finalmente para o Sr. Oliveira e tantos outros iguais a ele: ABRA OS OLHOS! e desconfie daqueles que querem transformar o agronegócio em uma atividade criminosa.
(Fernando Sampaio)
O Sr. Oliveira levanta-se de manhã e veste-se com roupas de algodão, algodão esse crescido nos campos de Chapadão do Sul( MS), Campo Novo dos Parecis(MT) e processado em Blumenau, SC. Talvez esteja um pouco frio e ele use um pulôver de lã de carneiros criados em Pelotas, RS e fabricado em Americana, SP. Calça seus sapatos de couro vindo de bois do Mato Grosso, e fabricados em Novo Hamburgo, RS.
Ele toma café da manhã, com ovos vindos de Bastos, SP, leite de uma cooperativa do Rio de Janeiro, broa de milho colhido em Londrina, PR, um mamão vindo do Espírito Santo, suco de laranja de Araraquara, SP e um cafezinho vindo direto de São Lourenço, MG.
Ele lê um jornal, impresso em papel feito de eucalipto crescido em Três Lagoas, MS.
O Sr. Oliveira entra em seu carro, abastecido com álcool de cana de açúcar produzida em Piracicaba, SP, com pneus de borracha saída dos seringais de São José do Rio Preto, SP.
Enquanto ele vai ao trabalho, a Sra. Oliveira vai às compras nos supermercados do bairro, sempre pesquisando os melhores preços das frutas, das verduras e da carne para não apertar o orçamento familiar.
No almoço, o Sr. Oliveira come um filé de frango criado no Paraná, alimentado com soja e milho de Goiás e de Mato Grosso, com molho de tomate de Goiás. Tem arroz do Rio Grande do Sul, feijão dos pivôs do oeste baiano.
Tem salada das hortas de Mogi das Cruzes, SP. Suco de uvas do Vale do São Francisco e de sobremesa goiabada feita com goiabas de Valinhos, SP e açúcar de Ribeirão Preto, SP, e queijo de Uberlândia, MG. Outro cafezinho dessa vez da Bahia.
Hoje a noite é de comemoração. Sua empresa fez um corte de pessoal mas felizmente o Sr. Oliveira manteve o emprego. Ele leva a esposa jantar fora. Vinho do Vale dos Vinhedos gaúcho. Presuntos e frios de porco criado em Santa Catarina, alimentado com soja paranaense, filet mignon de bois criados no Sul do Pará. Chocolate produzido com cacau do sul da Bahia. E outro café de Minas, adoçado com açúcar pernambucano.
O Sr. Oliveira é um homem razoavelmente informado e inteligente. No dia seguinte ele lerá os jornais novamente. Pelos jornais ele ficará sabendo que há conflitos em terras indígenas recentemente demarcadas e fazendeiros cujas famílias foram incentivadas a ocupar aquelas terras há décadas atrás.
Pelos jornais ele ficará sabendo que a pecuária é a maior poluidora do país (embora ele mesmo tenha o sonho de um dia abandonar a cidade poluída e viver no campo por uma qualidade de vida melhor). Pelos jornais ele tem notícias de invasões de terras, de conflitos agrários, de saques e estradas bloqueadas (o Sr.Oliveira é a favor da reforma agrária, embora repudie a violência).
Pelos jornais ele toma conhecimento de ações do Ministério Público contra empresas do agronegócio (ele não entende que mal há em empresas que ganham dinheiro). Pelos jornais ele acha que a Amazônia está sendo desmatada por plantadores de soja e criadores de boi.
Mas o Sr. Oliveira pensa que isso não tem nada a ver com ele.Pois eu gostaria de agarrá-lo pela orelha, e gritar bem alto, de megafone talvez, não um, nem dez, mas mil megafones que TUDO ISSO É PROBLEMA DELE SIM!
-Gostaria de lhe dizer que a agropecuária está presente em todos os dias da vida dele.
-Gostaria de lhe dizer que o agronegócio gera um terço do PIB e dos empregos do país. Gostaria de lhe dizer que quem diz que a pecuária polui mente descaradamente.
-Gostaria de lhe dizer que o maior desmatador da Amazônia o INCRA, que com o dinheiro dos impostos dele sustenta assentamentos que não produzem absolutamente nada, condenando uma multidão de miseráveis
manipulados por canalhas balizados por uma ideologia assassina à eterna assistência do Estado.
-Gostaria de lhe dizer que estes mesmos canalhas estão tentando, sob a palatável desculpa dos direitos humanos, acabar com o direito de propriedade, arruinando qualquer futuro para o agronegócio brasileiro.
-Gostaria de lhe dizer, que os mesmos canalhas querem fechar índios que há 5 séculos estão em contato com brancos em gigantescos zoológicos onde eles estarão condenados à miséria e ao suicídio.
-Gostaria de lhe dizer que índios são 0,5% da população brasileira e não obstante são donos de 13% do país.
-Gostaria de lhe dizer que querem transformar 2/3 do país em reservas e parque que estão sendo demarcados sobre importantes reservas minerais e aqüíferos subterrâneos essenciais para o futuro do país.
-Gostaria de lhe dizer que a agricultura ocupa apenas 7,5% da superfície do país, e que mesmo assim somos os maiores exportadores do mundo de carne, soja, café, açúcar, suco de laranja e inúmeros outros produtos.
-Gostaria de lhe dizer que podemos dobrar ou triplicar a produção pecuária do país sem derrubar uma árvore sequer..
-Gostaria de lhe dizer que produtores rurais não são a espécie arrogante e retrógrada que os canalhas dizem que são.
-São gente que está vivendo em lugares onde você não se animaria a viver, transitando por estradas intransitáveis e mortais, acordando nas madrugadas para ver nascer um animal, rezando para chover na hora de plantar e para parar de chover na hora de colher, com um contato e um conhecimento da natureza muito maior do que o seu. São gente cujos antepassados foram enviados às fronteiras desse país para garantir que esse território fosse nosso, foi gente incentivada a abrir a mata, abrir estradas, plantar e colher, às vezes por
causa do governo, às vezes apesar dele.
-Gostaria enfim de gritar a plenos pulmões, que qualquer problema que afete um produtor rural, uma empresa rural, uma agroindústria É UM PROBLEMA DELE, DO PAÍS E DO MUNDO.
-Sim, porque no mesmo jornal que o Sr. Oliveira leu, há uma nota de rodapé que diz que há 1 bilhão de pessoas no mundo passando fome.
-E grito finalmente para o Sr. Oliveira e tantos outros iguais a ele: ABRA OS OLHOS! e desconfie daqueles que querem transformar o agronegócio em uma atividade criminosa.
(Fernando Sampaio)
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