Mostrando postagens com marcador Santa Cruz de la Sierra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Santa Cruz de la Sierra. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de maio de 2011

Gracias a la vida, que me ha dado tanto...

Foi pouco tempo lá... e nem deu tempo para fazer nenhum passeio... mas foi o suficiente para descansar a cabeça e desacelerar pois eu saí de uma sequência de três meses massacrantes: de março a maio, foram 3 regionais, um nacional e uma série de outros compromissos no meio do caminho.

Visitei a Catedral Metropolitana em Santa Cruz de la Sierra, gosto de visitar lugares sagrados. Não que seja religiosa, nada disso... mas gosto de dar uma olhadinha e sempre celebrar a vida e a generosidade dela comigo. Quem diria que, em três anos, conseguiria reorganizar a minha vida da forma como aconteceu? Então, eu só posso entrar e sair cantando a música da Mercedes Sosa, que eu adoro... Gracias a la vida, que me ha dado tanto...



A catedral me pareceu extremamente bem preservada e muito limpa. O nome certo é Basílica Menor de San Lorenzo Martir, ela foi construída em meados do século XIX e foi tombada pelo Patrimônio Cultural em 2004. Na torre direita, tem um mirante. A gente sobe 162 degaus em quatro lances e chega até o topo da torre onde está o mecanismo dos relógios. A visão é muito bonita. Como a cidade é plana, dá para ver bem longe.






sábado, 28 de maio de 2011

É na Recova que eu me acabo..

Minhas viagens sempre resultam em pelo menos quatro postagens - a comida, a gente, o artesanato e os lugares... não necessariamente nesta ordem... este, então, é o post sobre o artesanato que encontrei em Santa Cruz de la Sierra. Não consegui discernir o que é original da região e o que vem de outras partes da Bolívia... mas vale registrar o colorido do artesanato boliviano. Desnecessário dizer que uma dúzia de peças, talvez mais, veio parar aqui em BH... três cachecois de lã de baby alpaca para minhas mães, uma chaqueta bordada a mão para Letícia, alguns bichos de cerâmica e madeira, algumas bonecas, uma mandala... um anjinho que é a cara do meu pai... tinha muito artigo em couro - bolsas, cintos, carteiras... e muito artigo de lã de alpaca também.

La Recova, a duas quadras da Plaza 24 de Septiembre. O ponto de compra de artesanato em Santa Cruz de la Sierra.

Na Recova, a gente encontra os artesãos trabalhando... é um ambiente muito agradável.

Tenho a impressão de nunca ter visto tanto presépio na minha vida...

Mais presépio...

Mais presépio...a técnica muda... mas o tema é o mesmo...

E mais presépio! Adorei estes trabalhos em cerâmica e trouxe una pareja para fazer parte da minha coleção de bonecas.

Em casa tinha um boneco desses, que meu pai trouxe de uma das pescarias no pantanal... mas não sei que fim ele levou, só sei que ele deixou de fazer graça na estante de casa há muitos anos...



Cholas, cholas y más cholas

Brasileiro sabe que nosso território já foi habitado por índios. Mas, para nós, é bem fácil esquecer isso. A cultura indígena não está presente no país, mesmo em estados onde eles são numericamente mais abundantes. Por exemplo, quando fui a Roraima... encontrei alguns elementos da cultura indígena esparramados por aí... uma comida, uma música... uma ou outra pessoa com traços indígenas... em Campo Grande, a mesma coisa... a gente sabe que os índios existem, mas não vê.

Agora... em Santa Cruz de la Sierra, e bem diferente. As cholas estão em toda parte - nas esquinas vendendo laranjas, bebidas ou comidas típicas... na porta das igrejas pedindo dinheiro aos turistas... lendo cartas de tarot no meio da rua... são mulheres de aparência rude e sofrida. E que não gostam de ser fotografadas. Isso havia lido... e esta semana comprovei. Uma delas, ao perceber que tirava minha máquina da bolsa, foi logo fazendo um gesto nada amigável. Por esse motivo, minhas fotos trazem cholas de costas rssssssssss



Ler mais sobre os cholos na América Latina: http://en.wikipedia.org/wiki/Cholo

Gemas bolivianas, mais uma aula de Geologia

Não sei de onde vem meu interesse pela Geologia porque, se tem uma coisa que não tem na minha família e no meu círculo de amizades, são geólogos. Mas pensar em Geologia ajuda a manter clara a dimensão da nossa insignificância perante o tempo infinito. Pensar que uma gema pendurada no meu pescoço foi formada há milhões de anos... é, no mínimo, uma forma de celebrar nossa efemeridade e nossa insignificância.
Mas vamos lá... adoro pedras e adoro joias. Então me chamou muito a atenção quando li uma placa numa joalheria em Santa Cruz de la Sierra 'Bolivianita, la gema boliviana'... e dava a entender que era algo exclusivo da Bolívia. Entrei, óbvio. E me encantei com o que vi. A bolivianita é uma mistura de citrino com ametista, também chamada de ametrino. O degradê de amarelo a lilás é incrível e algumas lapidações conseguem efeitos que me prendem a atenção por longo tempo.

Geologicamente falando, a bolivianita surgiu devido a duas forças eletromagnéticas que colidiram. A mina Anahí - única conhecida no mundo - é localizada no pantanal boliviano, a cerca de 30 km da fronteira entre Brasil e Bolívia.

Conta a lenda que as duas cores se uniram como resultado da trágica história de amor entre uma princesa ayoreana (Anahí) e um conquistador alemão (Don Felipe de Urriola y Goitia). O cacique, pai de Anahí, presenteou o casal com uma mina de bolivianita, mas o espanhol só estava interessado em ouro e prata. Quando o casal planejou ir para a Espanha, a tribo decidiu sacrificar Anahí para evitar que ela a abandonasse. Quando ela estava para morrer, nos braços do seu amado, ela deu a ele de presente um colar. Quando ele olhou para a gema de duas cores, entendeu que ela representava o coração de Anahí divivido entre o amor por sua tribo e o amor por seu marido.





E esta é a cruceñita. Infelizmente, não consegui nenhum detalhamento sobre ela na internet. Se você entrar 'cruceñita' no Google, vai encontrar muitas páginas, mas nada a ver com pedras preciosas... É um quartzo verde escuro cortado por um quartzo incolor. Incrível e de tirar o fôlego também. Tem esse nome porque traz as cores da província de Santa Cruz de la Sierra.

Um avestruz solto em Santa Cruz de la Sierra

Sempre me orgulhei do meu estômago de aço. Não sei o que vem a ser a tal da azia nem da má digestão. Queimação? Tampouco. Some-se a isso uma fome infinita de novidade... e o resultado é: toda viagem se transforma numa aventura gastronômica. Mas... eu gosto mesmo é de comer na rua, as coisas que todo mundo come. Gosto de pegar um cardápio e escolher o nome mais esquisito da lista, o tempero mais regional, o que só tem lá. Nesse dia e meio em Santa Cruz de la Sierra andei muito pelo centro da cidade... olhando as pessoas, as construções... e devorando o que aparecesse na minha frente, claro.

Dois pequenos vendedores me oferecendo chicha o mocochinchi.

O da esquerda é chicha. É uma canjica feita com água. A parte líquida, vc bebe, o milho, vc come com colher. O da direita é o mocochinchi. Pêssego seco cozido com muito cravo e canela. Não dá para ver direito, mas tem a 'pepita' dentro do copo, que é justamente o pêssego. Tome todo o líquido e coma a pepita no final.

Empanadas, saborosíssimas!!!!!!!!!

Não sei o nome de nada disso, mas comi praticamente todos... uma chipinha, bananas fritas, bala de rapadura, uns biscoitos de mandioca... en duda? Cómatelos todos.

E se, ao invés de um Contorno, BH tivesse seis?

Belo Horizonte tem uma avenida que faz o contorno no centro da cidade e que, por razões óbvias, se chama Avenida do Contorno. Não sei ao certo, mas alguém me falou que ela tem cerca de 6 km no total. Para minha cabeça cartesiana que pensa tudo em coordenadas e abcissas, é um pouco difícil porque eu nunca sei de que lado da roda eu tenho que entrar. Em também óbvio, é claro que eu sempre entro do lado errado. Agora... imaginem essa dificuldade multiplicada por seis. É. isso existe e não é o inferno. É Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Do avião, à noite, a gente vê os aneis de luz. É bonito para os olhos, mas meu senso de orientação não seria suficiente para garantir minha sobrevivência no local.

Mas foi por pouco tempo e curti muito. Deu para atingir meus objetivos de desacelerar minha cabeça e de ficar muda, calada e em silêncio depois de dois meses muito puxados...